Resenhas

Wild Nothing – Empty Estate EP

Pequena obra do grupo se mostra muito bem executada e traz novos ares à Chillwave e sua sonoridade atual.

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Ano: 2013
Selo: Captured Tracks/Bella Union
# Faixas: 7
Estilos: Chillwave, New Wave, Surf Music
Duração: 25:00
Nota: 4.0
Produção: Nicolas Vernhes

EPs no geral são feitos como pequenas amostras do que uma banda ou artista está pensando naquele determinado momento de sua carreira. Sem a pressão de ser considerado “ o novo álbum de X”, o resultado final pode ser muito mais interessante do que o imaginado. Se fossemos definir o som de Empty Estate do Wild Nothing, em poucas palavras, poderíamos dizer que temos aqui uma sonoridade oitentista com toques de Chillwave.

Nada de surpreendente para o grupo que lançou o interessantíssimo Nocture no ano passado. No entanto, os traços de uma maior psicodelia já puderam ser vistos no primeiro single de Empty Estate, A Dancing Shell, um som extremamente influenciado pelo Talking Heads e que tinha nas animações utilizadas no clipe a perfeita viagem no tempo para a década de 1980 no som. Faixa dançante que dá um grande destaque a todo EP.

Vale ressaltar aqui o cuidado com a produção realizada. Desde de as texturas sonoras utilizadas ou a atmosfera criada, o pequeno disco contém uma sequência de faixas que deixa a obra inteira como um elemento único. Não se consegue perceber que uma música acabou e que outra terminou, e a sensação de unidade agrada muito ao final. The Body In Rainfall é bastante sintética, e é um pouco menos dançante do que o visto habitualmente com o grupo. É como se o MGMT ainda fizesse músicas mais diretas ao ponto, um elogio, com certeza.

Em seguida, a viciante Ocean Repeating tem, como o nome pede, uma retomada de certa forma da Surf Music misturada à Chillwave. Basicamente, ondas sonoras que te fazem viajar tranquilamente com um simples fone de ouvido. A faixa é bem precisa e, mesmo sendo bastante repetitiva em sua estrutura, não cansa em nenhum momento. On Guyot começa ligada à canção anterior e nela continua baseada em um ótimo momento instrumental do EP. O lado eletrônico do grupo reverbera muito bem, servindo como um ótimo interlúdio sonoro. Ride continua a pegada mais oitentista (com o uso intenso de sintetizadores) enquanto uma linha de guitarra é bem executada ao fundo e a psicodelia ganha tons um pouco mais a la Animal Colective, com vozes sendo repetidas, bem baixas, como se estas somente acompanhassem e não ditassem em nenhum momento o ritmo.

Data World é a mais agitada, e lembra bastante Smiths em sua base guitarra-baixo-bateria. O vocalista, Jack Tatum, se mostra um pouco mais agitado e menos sonhador (papel que um líder tem que assumir esporadicamente.) A transição entre esta faixa, e a já comentada A Dancing Shell é perfeita: ambas são excelentes dentro da obra. Para terminar o novo momento instrumental Hachiko estabiliza tudo, e não deixa nenhuma ponta solta ao longo deste muito bem executado EP.

Se a proposta do Chillwave moderno é não só trazer as ondas sonoras na forma de pequenas partículas psicodélicas, mas também o agito dançante da Surf Music e da New Wave dos anos 1980, então o estilo caminhará para uma interessante evolução. Neste momento, com este EP, o Wild Nothing parece sentir e seguir esta direção. Não deixe de ver o clipe abaixo, e se perca em sua criatividade e abstração.

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BOM PARA QUEM OUVE: David Byrne, Toro y Moi, Washed Out
ARTISTA: Wild Nothing

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.