Resenhas

Willie J. Healy – Twin Heavy

Britânico investe em som analógico e segundo álbum une bom humor e sensibilidade, leveza e conteúdo

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Ano: 2020
Selo: Yala Music
# Faixas: 12
Estilos: Indie, Indie Rock
Duração: 42'
Produção: Loren Humphries

Deve ser legal ter Willie J. Healy como amigo, a julgar por como ele se mostra nas capas dos discos, fotos de divulgação e clipes. É algo que passa pela cabeça também ao escutarmos Twin Heavy, seu segundo álbum, no qual o músico britânico nos convida a adentrar um universo com uma boa dose de bom humor e de sensibilidade, falando desde situações absurdas até emoções bastante reais – como uma boa conversa com alguém com quem você tem intimidade.

Essa característica confere também a qualidade de “obra completa” que o disco tem, uma expressão que contrasta com uma certa simplicidade percebida ao longo do repertório. São canções Indie não tão fora do comum, mas boas em composições e arranjos, com uma dose a mais de capricho na gravação ao vivo diretamente em fita. Além de um som caloroso com um quê nostálgico, esse método dá às músicas um teor orgânico que combina muito bem com essa proposta intimista, sem perder o volume da guitarra.

Sob a tutela de Loren Humpries (Florence + The Machine, Arctic Monkeys, Tame Impala), Willie investe em um som analógico como se fazia há uns anos – lembra quando o Indie tinha mais pedais do que de synths? –, percorrendo um caminho que começa em um Indie Rock empolgado e vai cedendo a uma sonoridade mais introspectiva e aérea próxima do Indie Pop. Ele cita Elliott Smith em “Big Nothing” e não esconde essa influência em faixas como “Heavy Traffic”, que parece mesmo algo que o finado músico gravaria hoje em dia, assim como “Thousand Reasons” lembram seus momentos mais grandiosos.

Vários outros nomes vêm à mente ao longo da audição de Twin Heavy, seja pelo clima retrô à la Last Shadow Puppets (com o qual Humphries também trabalhou), ou pelo instrumental rico, com amparo de sopro aqui e ali – o que leva a crer que essas músicas cairiam bem ao lado de algum O Terno das antigas em uma playlist. Dos vários bons momentos do álbum, se destacam o teor (Indie) Pop de “For You” que faz com que ela tenha cara de hit despretensioso (o que é sempre uma delícia), além da balada cheia de nuances que dá nome à obra e seu encerramento carregado de emoção em “Caroline Needs”.

Twin Heavy é um disco daqueles que basta dar uma chance para te conquistar, como aquele amigo de não sei quem que você logo gostou assim que conheceu. O que o torna especial é a soma de detalhes e qualidades, que faz com que ele, mesmo sem ter a mais forte das personalidades, seja sempre uma companhia certeira tanto para a diversão, quanto para um papo de mais conteúdo.

(Twin Heavy em uma faixa: “True Stereo”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.