Resenhas

Willis Earl Beal – Experiments In Time

Novo trabalho de uma das mais belas vozes atuais decepciona com falta de ideias novas e por formato arrastado

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Ano: 2014
Selo: Independente
# Faixas: 12
Estilos: Gospel, Blues
Duração: 53:00
Nota: 2.0
Produção: Willis Earl Beal
SoundCloud: /tracks/156025489

A história de Willis Earl Beal está se mostrando igualmente meteórica e não-linear: descoberto como talento da música e com uma voz poderosa como o Blues e o Jazz costumava nos trazer (Nat King Cole, por exemplo), o antigo morador de rua passou por um verdadeiro sonho, gravando discos pela famosa XL Recordings e dividindo atos com Cat Power. No entanto, logo os conflitos com a gravadora surgiram por direções obscuras que supostamente o cantor estaria seguindo. Assim, em pouco menos de um ano após o lançamento do bom Nobody Knows, viriam os instáveis EPs independentes Curious Cool e A Place That Doesn’t Exist.

Agora com um nome já conhecido na cena e vontade de conduzir o seu próprio destino, o poderoso cantor decidiu romper o que lhe limitava e lança um disco por sua conta, Experiments In Time. Entretanto, infelizmente, a nova direção contestada por seu selo parece fazer sentido e o trabalho decepciona por justamente seguir o caminho contrário da sua vida ao se mostrar linear, parado e insosso. Do começo ao fim, temos a sensação de que estamos diante da mesma música Gospel com tristeza na voz – a constante busca pela paz de espírito é um dos temas do álbum. Tirando a introdução de Questions, com uma transmissão radiofônica misteriosa afirmando que muitas vezes não faz sentido o que você quer dizer a não ser vontade de dizer algo, o resto é bastante similar entre si – seja pelo tom de voz de Willis, pela semelhença de acordes e o timbre de seu piano elétrico ou fato de que praticamente só escutamos quase que uma obra acapella.

Como um diálogo interminável entre Willis e o ouvinte, somos jogados a uma atmosfera misteriosa, fúnebre e melancólica que chama a atenção e emociona no início, mas que acaba irritando pela falta de progressão. Se não bastasse isso, já havíamos escutado a maioria dos sons de Experiments In Time em suas obras anteriores, mas nunca em um formato tão constante. Por exemplo, precisamos de cinco faixas precisamente para que a primeira percussão apareça em Waste It Away, que, mesmo não sendo interessante, traz um pouco de ar ao disco.

O arrastado trabalho Lo-Fi é coeso do começo ao fim, pois não deseja nunca mudar o seu estilo, progressão e complexidade, somente decepcionando com tal escolha . É obvio que existem belos momentos, como Traveling Eyes ou a viajada At The Airport, no entanto não deixa de ser em nenhum instante monótono. A palavra, utilizada de um jeito coloquial, denota a falta de algo mais. Ao pé da letra, é na verdade o tom único, a falta de diferenciação e progressão contínua, algo que é sentido no álbum em praticamente cada instante. Depare-se sem muita atenção escutando-o e você sentirá que, de alguma forma, o tempo não passou e a canção é a mesma. Ao final, percebemos Willis tentar ser autêntico e mostrar sua identidade, mas sem se preocupar com o contéudo, e a faixa Monotony denota bem o sentimento do ouvinte após o seu término, infelizmente.

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BOM PARA QUEM OUVE: Daughn Gibson, Keaton Henson, Nick Cave
MARCADORES: Blues, Gospel

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.