Resenhas

Wolf Alice – Creature Songs EP

Segundo EP do grupo supera a hype e uma fraca primeira impressão com “Blush”

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Ano: 2014
Selo: Dirty Hit
# Faixas: 4
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 12:27
Nota: 3.0

Depois de alcançar certo buzz com seus primeiros singles, mas entregar um fraco EP de estreia (Blush, de 2013), o quarteto londrino Wolf Alice tinha que se mostrar neste ano como mais do que apenas mais uma hype do ano passado. Se esta primeira obra “falhava” em suprir toda a expectativa criada pela sensacionalista imprensa inglesa, seu segundo trabalho, o EP Creature Songs, parece mais certeiro e robusto, por mais que seja muito menos Pop.

Por mais que as letras e temáticas ainda sigam no mesmo caminho “adolescente” de Blush, há um direcionamento nesta nova obra pouco mais sombrio e pouco mais maduro. Se liricamente há essa “nova” orientação, sonoramente também há mudanças no clima geral do grupo. Deixando de lado aquele Indie Rock mais genérico e embarcando em um Rock mais barulhento, alto e carregado (pelo menos em metade do EP), o grupo demonstra mais energia e dinâmica em suas músicas – algo que vaga pode remeter ao mesmo tempo bandas Audioslave, The Joy Formidable e Smashing Pumpkins.

Dividido em duas metades polarizadas, o EP começa revelando sua face mais agressiva com Moaning Lisa Smile. A faixa mostra ter um pezinho nos anos 90, com ecos de Pumpkins e Pixies, e demonstra grande ferocidade ao apresentar o peso dos timbres distorcidos das guitarras e uma bateria rasgada tocada de forma frenética – música que pode lembrar também alguma versão mais branda do Grunge. Storms segue nesse mesmo caminho, porém demonstra maior sensibilidade e dinâmica – e um refrão que vira quase um mantra em meio a guitarras estrondosas e furiosas.

A segunda parte do EP começa com Heavenly Creatures, uma faixa bem curiosa dentro da curta discografia do grupo. Com uma gentil guitarra criando uma harmonia quase em loop e uma bateria imprimindo um ritmo ameno, é a voz de Ellie Rowsell que comanda a música. Com o refrão “Time to die, time to kill, time will fly, time will heal/All for love, all for you, God’s a judge, love is true”, cantando à la Warpaint, essa é a melhor canção do EP.

We’re Not the Same fecha a obra apresentando uma dualidade interessante. Se a primeira metade é guiada pelo tom acústico (e quase Folk), a segunda é permeada pelo Noise e pela fúria das guitarras, que deixam ainda mais potentes letras com significados igualmente duais como “We’re not the same/You and I/Oh what a shame/By and by”. A babda faz essa mistura agridoce crescer de um extremo ao outro linearmente e de forma muito consciente.

Ainda que separadas por apenas oito meses, já é possivel notar grande avanço em relação a Blush, o que faz o público criar certa expectativa para mais em EP ou disco de Wolf Alice. A escolha por seguir caminhos menos óbvios neste EP é outro motivo que nos faz esperar ainda mais de um próximo trabalho do grupo – dessa vez, deixando a “hype” ser criada pela própria música e não pela imprensa inglesa.

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BOM PARA QUEM OUVE: Warpaint, Pixies, Smashing Pumpkins
ARTISTA: Wolf Alice

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts