Resenhas

Woods – Bend Beyond

Em seu sétimo disco, a banda consegue limpar seu som e mostrar suas qualidades, assim como uma sonoridade Folk que parece ter sido tirada dos anos 60

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Ano: 2012
Selo: Woodsist
# Faixas: 12
Estilos: Folk Rock, Psicodelia, Folk Psicodélico
Duração: 32:05
Nota: 3.5

Mesmo que Bend Beyond traga algumas mudanças para a sonoridade da Woods, ao dar o play, você notará que ele é tipicamente mais um disco da banda, pois tudo aquilo que existe nos seis discos anteriores do quarteto está presente aqui, só que de uma forma mais limpa, clara e polida que nesses trabalhos prévios. À medida que as faixas avançam, você irá perceber que o mesmo Folk Rock com tendências Psicodélicas e experimentais (que aparece com menor frequência aqui) continuam presentes e que a “falta” de estética Lo-Fi só fez o som da banda progredir.

O grupo se aproxima na sonoridade Folk Rock dos anos 60/70 (de artistas como Neil Young, Crosby, Stills & Nash e Grateful Dead), porém sem se esforçar para soar como algo daquela época ou como algum movimento revivalista. Outro fator que me faz pensar que eles poderiam ter saído dessa mesma safra de artistas é a grande produtividade do grupo, pois este é seu sétimo álbum em sete anos de existência e, em cada um, a banda explora elementos diferentes e tenta trazer alguma novidade. Em Bend Beyond a novidade reside em limpar o som, aparar arestas e apostar, ainda mais, no lirismo de Jeremy Earl.

Lindas harmonias que saem de violões, algumas tonalidades psicodélicas nas guitarras e efeitos, um pouco de fuzz e uma ótima instrumentação de apoio (como gaita e alguns instrumentos de corda) são alguns dos elementos que formam a sonoridade da banda, mas o que mais chama a atenção é o vocal em falsete de Earl, cantando suas letras bucólicas e algumas vezes realmente dolorosas. Aqui, o lirismo e a voz ganham um destaque ainda maior, pois a “confusão” sonora que vinha do Lo-Fi não se faz mais presente.

Mas esse é um trabalho extremamente convidativo, leve e fácil de se apaixonar, principalmente se você está familiarizado com os gêneros que a banda se utiliza. E, isso pode ser visto com mais clareza em faixas em quase acústicas, como It Ain’t Easy e Something Surreal, nas quais essa qualidade convidativa parece ser potencializada. Mesmo em músicas em que a instrumentação é mais bem trabalhada, dá para se notar isso. A faixa-título é um bom exemplo disso, com suas belas melodias e um quê dramático, uma ótima abertura para o disco.

Sem dúvidas, Cali In A Cup é um dos destaques deste álbum, com sua levada quase Country e uma incrível abertura feita por uma gaita reverberante (que vai aparecer ainda por toda a faixa), e sua letra bucólica que fala sobre o passar das estações, o cair das folhas e da neve. Outra música que merece destaque é Is It Honest? em que os instrumentos de corda aparecem e ficam ao fundo criando a aura aconchegante da canção. Wind Was the Wine tem uma vibe anos 60 e mesmo sendo é a canção mais curta do disco, se mostra como uma das emocionalmente mais poderosas.

Se você for um fã de longa data do Woods, talvez se incomode pela falta de “novidades” aqui, pois em seus álbuns anteriores o grupo parecia introduzir novos elementos, assim como brincar com eles, e, em Bend Beyond, a grande diferença é limpeza sonora, o que, na verdade, deixa ainda mais visíveis todas as qualidades que a banda tinha e, de certa forma, as amplifica.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts