Woods – City Sun Eater in the River of Light

Nono álbum do grupo é uma evolução natural de seus antecessores

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Ano: 2016
Selo: Woodsist
# Faixas: 10
Estilos: Folk Rock, Folk Psicodélico, Lo-Fi
Duração: 42"
Nota: 4.0

É impressionante não só a quantidade de discos lançados por Woods em pouco mais de dez anos de carreira, como também a consistência dessas obras. O grupo nova-iorquino se tornou um daqueles de “estilo próprio”. Apesar de poder ser rotulado como um Folk Rock Lo-Fi, é bastante incomum confundi-lo com outros que estão sob este mesmo rótulo. Talvez sejao vocal em falsete de Jeremy Earl, talvez sejam as guitarras chorosas de Jarvis Taveniere, talvez o acabamento “nada polido” da produção ou talvez seja a soma de tudo isso que valide o som de Woods como único ou cheio de personalidade.

Não seria um exagero dizer que, no curso dessa década de carreira, pouca coisa tenha mudado em seu som. É claro que vão existir diferenças, como entre Bend Beyond (2012) e With Light and with Love (2014), por exemplo, mas não o suficiente para ser chamado de revolução ou mesmo uma nova fase. Sendo assim, City Sun Eater in the River of Light é fruto de uma paulatina evolução que se deu aos poucos, disco a disco. Os aspectos que “melhoram” neste álbum em relação aos demais, surgem de forma muito natural, como se brotassem espontaneamente das mentes de Earl e Taveniere.

E o aspecto que aqui mais “saltam aos ouvidos” é diminuição do aspecto Lo-Fi, tão comum em suas obras antigas. Se With Light and with Love foi um primeiro passo para essa “sanitização musical”, City Sun Eater in the River of Light é o atestado de como essa mudança foi realmente incorporada na sua musicalidade. Fora isso, a banda consegue refinar sua instrumentação, digamos, “extra” ao adicionar sintetizadores (I See In The Dark), teclado (Can’t See At All) ou saxofone (The Take).

O som de Woods pode ser comparada a um talentoso fotógrafo que que a cada ano melhora seu equipamento. O talento e técnica continuam os mesmos (e quase inalterados), mas os meios de capturar a fotografia e a forma de exposição do produto final melhoram com o tempo. É como se essa “maior resolução” em seu som deixasse claro elementos que às vezes ficavam não tão à vista com a “baixa resolução”. Exemplo de Politics Is Free, uma das faixas mais pegajosas já criadas pela banda. Há algo de Wilco e The Shins nela, algo que leva o tal Folk Rock Lo-Fi para passear por outros outros terrenos da música Folk e Rock.

Com um escopo maior em sonoridades e um som mais palatável, o grupo prova com City Sun Eater in the River of Light que sua música vai muito além de uma simples escolha estética de soar Lo-Fi. Com essa maior facilidade, surgem aos ouvidos novos elementos para se apreciar, sem contar que isso ressalta a amálgama que sempre deu tanta personalidade à sua música.

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BOM PARA QUEM OUVE: Wilco, The Shins, Grizzly Bear
ARTISTA: Woods

Autor:

Desde criançaa apaixonado por música, consumidor compulsivo de hamburguer e chato