Resenhas

Woods – Love Is Love

Novo EP do grupo é um protesto a Donald Trump de forma extremamente sutil e igualmente potente

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Ano: 2017
Selo: Woodsist
# Faixas: 6
Estilos: Indie Folk, Indie Pop, Rock Alternativo
Duração: 31:00
Nota: 3.5
Produção: Leon Vynehall

Em períodos conturbados da política, a música vem como um escape incrivelmente potente. Como cada artista resolve se expressar frente à impotência do sistema democrática varia e muito entre cada mente. Você pode ser agressivo e direto como Rage Against The Machine, ou mais sutil como Saltimbancos, de Chico Buarque, mas a inconformidade é matéria prima comum. No caso da banda Woods, as coisas tomaram um rumo diferente. Consternados com a recente eleição do presidente norte americano Donald Trump, a banda optou por fazer uma reflexão sobre um valor que pode ser perdido durante o mandato: o amor.

Ao invés atacar diretamente seu alvo, o grupo resolveu usar toda sua energia de ódio, indignação e impotência para construir seu novo trabalho Love Is Love, uma espécie de crônica Indie da modernidade. Abordando sonoridades que eles dominam facilmente desde o começo do conjunto, seus integrantes conseguem deixar claras as referências que os norteiam e, a partir disso, fica interessante observar como elas acabam contribuindo para o manifesto de Woods.

A faixa de abertura nos traz de cara um arranjo típico do Indie novaiorquino, juntamente com metais que trazem aquela ambientação surreal de discos como In the Aeroplane Over The Sea, de Neutral Milk Hotel – como se a eleição trump fosse algo realmente surreal. Já Bleeding Blue traz uma abordagem mais Folk, quase remetendo a hinos revolucionários de Simon & Garfunkel. Lost In A Crowd pode ser a típica balada Indie que você odeia, mas ela certamente tenta fundir elementos como o famoso órgão Hammond, incluindo uma ambientação quase Blues ao registro.

Springs In The Air nos joga para o lado mais psicodélico da vida, com dez minutos de duração e uma construção que nos faz se sentir presos e claustrofóbicos dentro de um mesmo e repetitivo riff – como se o novo presidente fosse parte de um sistema que sempre vai se repetir. Hit That Drum traz uma lisergia diferente, mais densa e menos estruturada, remetendo a uma espécie de Brian Eno Emo. Por fim, Love Is Love (Sun Of Time) traz um arranjo dançante e hipnótico, como se fosse um lado-B do musical Hair.

Woods nos mostra como a parte instrumental da música pode dizer tanto quanto letras ácidas e agressivas. Com uma espécie de manifesto não-violento, a banda nos entrega um EP que pode ser interpretado como algo ingênuo por alguns, mas que esconde, sabiamente, uma mensagem de reflexão e até mesmo esperança para os próximos anos. Como se fosse um grito de revolução reverberado nos túneis mais profundos de metrô.

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BOM PARA QUEM OUVE: Palace, Blaenavon, Neutral Milk Hotel
ARTISTA: Woods

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.