Resenhas

Wye Oak – Shriek

Dupla aceita o desafio criativo de trocar de instrumentos e constrói à distância um álbum orgânico e emocionado

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Ano: 2014
Selo: Merge Records
# Faixas: 10
Estilos: Synthpop, Dream Pop, Indie
Duração: 41'
Nota: 4.0
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fshriek%2Fid806259678%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Como é bonito este quarto álbum da banda Wye Oak. Envolto por novos ares musicais, o duo enfrentou a exaustão após a turnê de seu disco anterior, Civillian (2011), com o desafio criativo de tentar novos instrumentos. O resultado é um disco emocionado sem pieguices e criativo, ainda que orgânico.

Jenn Waster migrou da guitarra para o baixo e seu parceiro Andy Stack foi das baterias para os sintetizadores. Adiciona-se ao processo de criação do registro a distância dos dois (cada um mora em um local dos EUA) e a composição feita pela Internet e temos um registro que, se não desafia inovações da música como um todo, impulsiona o grupo em uma direção muito válida.

Ao invés de abraçar uma sonoridade e se contentar com o resultado que conseguiu ao explorá-la, como se completar o desafio fosse o suficiente, Wye Oak optou por trabalhar as músicas em esferas individuais, por mais que elas combinem entre si. Quero dizer que dá pra sentir que cada faixa foi pensada em si própria, ao invés de um trabalho de explorar um estilo X ou subgênero Y. Essas músicas são assim porque essas composições pedem isso.

O tema lírico central é o existencialismo, uma das questões mais humanas de todas, e ele vem embrulhado em sons principalmente artificiais, vindos dos sintetizadores. Eles tem aquele quê nostálgico que muito da música de hoje em dia carrega, mas possui também um tom emocionado, mesmo nas canções que menos parecem vindas da alma.

Surpresas como Despicable Animal, Sick Talk, Glory (a melhor de todas) e a faixa-título comprovam isso. As dez músicas são todas boas e mesmo quando The Tower parece um pouco “feita pra ser single” demais, ou Before tenha sido pensada desde o início como “música de abertura”, não dá pra negar a qualidade desse trabalho.

Fica a incógnita sobre o futuro da banda, sobre qual será o próximo desafio criativo. Porém, se ela repetir essa dose de capricho, fã nenhum precisa se preocupar.

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BOM PARA QUEM OUVE: CHVRCHES, SILVA, Bombay Bicycle Club
ARTISTA: Wye Oak
MARCADORES: Dream Pop, Indie, Synthpop

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.