Resenhas

Xóõ – Xóõ

Integrantes de diversas bandas unem-se em projeto que sintetiza muito da nossa música de hoje

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Ano: 2016
Selo: Swing Cobra
# Faixas: 8
Estilos: Rock Alternativo, Rock Experimental, Pós-MPB
Duração: 31'
Nota: 4.5
Produção: Xóõ

Integrantes das bandas Ventre, Baleia e SLVDR uniram-se ao músico e produtor Bruno Schultz (parceiro de Cícero em seus três discos) para serem trancados em um estúdio (que parece aqui um sinônimo de “laboratório”) por uma semana e celebrar o acolhimento carioca ao músico mineiro Vitor Brauer (Lupe de Lupe). Isso é Xóõ.

O disco de mesmo nome (pronuncia-se “chó-ôn”) traz uma bem-vinda bagunça sonora digna de todos esses nomes juntos, ao mesmo tempo que carrega aquele carisma natural que só as obras que foram feitas com muita estima (para não dizer “carinho”) possuem e uma certa malícia de quem sabe que o que está fazendo não só é muito bom, mas de grande relevância.

Xóõ mapeia como poucas obras o que é o lado-B da música brasileira hoje, como se oferecesse um ingresso para a pista VIP em um inferninho sem palco muito definido. É entender melhor como os melhores projetos hoje, aqueles que apresentam algo novo ou que condensam o que estava só no ar, são os feitos nesse sangue de doar seu talento, sem necessariamente muitos recursos, para criar um disco na certeza e na liberdade de que ele será ouvido por poucos.

Quem conhece o trabalho dos músicos não terá muita dificuldade para palpitar sobre o que cada um trouxe para o estúdio, seja no executar dos seus instrumentos ou como força criativa. É inegável, porém, que Brauer é o protagonista de Xóõ, o que faz alguns momentos parecerem uma homenagem dos outros a sua Lupe de Lupe, ou uma forma de não deixar morrer aquele seu espírito visto aqui em músicas como Questão de Opinião ou Cansado.

Antes do encerramento em Créditos – uma faixa que você acha que ouvirá só uma vez, mas sempre sorri depois quando ela aparece -, somos brindados com a beleza de Mudança, a divertida Eu Te Amo e a força de Gente Boa, um belo resumo do que é viver em nossos dias. Todas elas fazem Xóõ ser um disco de personalidade forte e musicalidade ímpar com uma relevância difícil de ser contestada.

Vale para quem quer entender mais sobre a música de hoje no Brasil, para quem tem saudades de Lupe de Lupe e para admiradores de um som não-convencional. Não estranhe alguma antipatia inicial, Xóõ conta com isso – se é que não faz questão.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.