Resenhas

Yard Act – The Overload

Disco de estreia da banda de Leeds narra as mazelas da classe operária abraçando o lado mais leve do post-punk e flertando com o tom festivo do indie

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Ano: 2022
Selo: Universal Music
# Faixas: 11
Estilos: Post Punk, Indie Rock
Duração: 37'
Produção: Ali Chant

Yard Act é uma banda nova formada por gente que já percorria o circuito alternativo da cidade de Leeds, no norte da Inglaterra. Seu som dialoga diretamente com a proposta do post-punk, som originário daquela região que narra as mazelas da classe operária, como fica bem claro em seu álbum de estreia, The Overload.

Introduzido pela faixa-título, o disco utiliza a bateria acelerada e o baixo grave e pulsante dessa escola estética para cantar os problemas sociais enfrentados em Leeds e no país como um todo, como a gentrificação. Diferente de outros trabalhos do gênero, o vocal (bastante carismático, diga-se de passagem) de James Smith pode ser ouvido com clareza, como se a obra fizesse questão de contar ao ouvinte que é preciso prestar atenção no que está sendo cantado.

A voz nítida e em primeiro plano aponta que Yard Act é mais uma das bandas desta geração do post-punk que opta por entregar uma versão mais leve, menos raivosa, do estilo que consagrou o gênero. Abraçando elementos do indie rock (como na divertida “The Incident”), o álbum se aproxima mais até mesmo de Arctic Monkeys (em seus momentos menos celebrados) do que Joy Division. E também, por todos esses motivos, remete invariavelmente a outro nome expoente da mesma cena: IDLES.

Sem a sujeira costumeira de suas bandas colegas de cena, The Overload encara um prejuízo considerável no impacto que seu som deixa de ter, na escolha de criar um som mais agradável e dançante ao invés de algo que acompanhe a gravidade do que está sendo cantado. Um ponto fora da curva é “Tall Poppies”, que, com mais de seis minutos de duração, estabelece uma narrativa mais pesada, mais próxima do spoken word, sem aparentar uma intenção muito clara de agradar o ouvinte, como as demais faixas passam.

É um primeiro disco mais próximo do entretenimento do que das raízes do movimento que essas músicas comunicam. Não é nada ruim, mas dificilmente causará comoção entre o público que se propõe a atingir – ou seja, quem tem alguma fluência no post-punk.

(The Overload em uma faixa: “The Incident”)

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ARTISTA: Yard Act

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.