Resenhas

Yes – Heaven And Earth

Novo disco do grupo inglês aponta para novas direções

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Ano: 2014
Selo: Frontier
# Faixas: 8
Estilos: Rock Progressivo, Art Rock, Pop
Duração: 51:27min
Nota: 3.0
Produção: Roy Thomas Baker

Este é o segundo álbum do tradicional grupo Progressivo inglês com a participação do vocalista Jon Davison. Até 2011, Yes sempre teve nos vocais Jon Anderson, veterano e venerável figura dos tempos idos da banda, capaz de aliar um registro vocal agudíssimo e manter sua voz jovial e marcante, certamente, um dos selos de qualidade de Yes ao longo da carreira. Com Anderson fora dos planos e Davison a bordo, o timbre vocal manteve-se muito próximo do original, sem que haja qualquer choque por conta de uma nova repaginação da banda, já foram muitas desde 1969, quando o grupo se uniu e lançou o primeiro álbum homônimo. Desde então, poucas vezes conseguiu repetir a mesma formação de um lançamento para o outro, o que acontece agora, com os mesmos integrantes responsáveis pelo simpático Fly From Here devidamente envolvidos no processo criativo e gravações deste simpático Heaven And Earth.

Antes de mais nada, é possível notar um encolhimento no som da banda. O que antes era uma avalanche de virtuosismo por todos os lados, não passa de uma banda comum em estúdio. Se tal movimento pode frustrar o fã mais tradicional, abre uma possibilidade para os cérebros dos artistas, a saber, Chris Squire (baixo), Steve Howe (guitarra), Geoff Downes (teclado) e Alan White (bateria), se reinventarem como músicos. A banda já se aventurou pelo terreno da música Pop com certa desenvoltura, seja no Tecnopop de 90125 (1984) ou nos bons The Ladder (1999) e Talk (1994), mas sempre com produção grandiosa, épica. Agora, com Roy Thomas Baker no comando, com bandas tão díspares em seu currículo de produtor quanto Queen e The Smashing Pumpkins, Yes parece fazer um movimento em direção às canções, sem complicar muito sua abordagem.

Tal impressão surge logo na abertura, com Believe Again, introduzida por um riff safado de teclado, que chega a emular a abertura de Top Gun, mas sai pela tangente com os vocais almiscarados de Davison assumindo o controle do leme. A aura messiânica/natureba/riponga, tão comum na obra do grupo, parece transmutada e atualizada para os nossos dias. É música para quem se preocupa com o meio ambiente, mas também acessa o wi-fi do shopping. The Game surge em seguida, com guitarra crocante na abertura e melodia que poderia ser do grupo 14 Bis, uma banda totalmente influenciada pelo Yes clássico, mas sai pela tangente numa beleza de progressão melódica de fim de filme, quando todos estão felizes e olhando para o horizonte. É brega, mas funciona.

Step Beyond tem andamento mais suingado e efeitos de teclado saltitantes, com cara de canção Pop, não faz feio. To Ascend é outra daquelas canções climáticas e pastoris, com teclados sutis e violões dedilhados, tudo bem bonito. A riponguice 2014 surge em In A World Of Our Own, com letra de conscientização e andamento leves teores, enquanto Light Of The Ages, sobre o valor de envelhecer e o reconhecimento das experiências da vida como algo a ser valorizado, é bonitinha, mas pálida. It Is All We Know é uma canção absolutamente Pop, com pouco mais de quatro minutos e zero complicação, que serve para preparar o terreno para a chegada de Subway Walls, com cerca de nove minutos, responde pelo momento mais progressivo do disco.

Talvez seja necessário esperar mais um álbum para emitir um parecer sólido sobre essa versão anos 2010 de Yes. O que já é possível notar é a vontade dos músicos em mexer numa fórmula sonora vencedora, algo que já fizeram antes, em momentos de reinvenção e mudança. Nem sempre acertaram no alvo, mas nunca se acomodaram nas glórias do passado. Este novo álbum mostra uma banda procurando novos rumos, o que já é algo louvável.

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BOM PARA QUEM OUVE: Marillion, Porcupine Tree, Asia
ARTISTA: Yes

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.