Resenhas

Yo La Tengo – There’s A Riot Going On

Grupo produz álbum ansiolítico para tempos ansiosos

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Ano: 2018
Selo: Matador
# Faixas: 15
Estilos: Indie, Ambient
Duração: 63
Nota: 3.5

Yo La Tengo é um desses grupos seminais do Rock Alternativo americano, na ativa desde os anos 80. Se você tem acompanhado as resenhas do Monkeybuzz nos últimos meses, vai perceber que existe uma espécie de movimento de “retorno” de bandas que foram emblemáticas na década de noventa. Em muitos casos, mesmo que a banda não tenha declarado o fim de suas atividades em momento nenhum, trata-se apenas de uma sensação de urgência e relevância provocada pelo contexto político mundial – sim, cá estamos nós falando de Trump novamente -, no qual determinado grupo lança alguem trabalho mostrando aquele proverbial dedo do meio para o sistema, apenas para não deixar a coisa passar assim, em branco.

Esse contexto, somado ao nome do trabalho – emprestado da banda de Funk Sly and the Family Stone, que gravou um álbum lá na década de 70 ainda sob a ressaca do governo Nixon -, dá a falsa impressão de que o trio formado por Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew resolveu lançar um álbum de protesto. Uma primeira ouvida por There’s a Riot Going On vai perceber que as coisas não são bem assim. Ou melhor, até são, mas por outra via: o protesto de Yo La Tengo aqui é pacífico, de quem se tranca no quarto e vai meditar, recusando-se a fazer parte do barulho do mundo.

There’s a Riot Going On é um álbum de sonoridade tranquila, quase Ambiente. Guitarras com EBow ecoam por paisagens azuis como cantos de baleia. Uma bateria insistente mantém um ritmo hipnótico. O tom azul melancólico impregna todas as músicas, com um caráter meditativo, recluso e pacífico. Em geral, o álbum funciona muito bem como ansiolítico. No entanto, em algumas – poucas – ocasiões, como é caso da faixa Polynesia #1, a coisa se dissipa de tal maneira que a atenção do ouvinte se perde em camadas demasiado amenas. Apesar disso, a vibe Yo La Tengo não se perde de todo, é possível detectar um pouco da herança do Rock Alternativo vinda do lado mais gentil de The Velvet Underground, Sonic Youth e exemplos similares.

Visto como um todo, Yo La Tengo faz um dos usos mais interessantes para a música que herdou, saindo da vertente tão comum nos últimos anos de álbuns anti-Trump que são feitos apressadamente. Um ponto fora da curva, e uma excelente pedida para tempos ansiosos.

(There’s a Riot Going On em uma música: She May, She Might)

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ARTISTA: Yo La Tengo
MARCADORES: Ambient, Indie

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.