Resenhas

Young Dreams – Between Places

53 minutos, distribuidos em apenas 9 faixas, de uma fusão gostosa entre sons atuais e a sonoridade seminal de Brian Wilson e seu The Beach Boys

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Ano: 2013
Selo: Modular
# Faixas: 9
Estilos: Dream Pop, Art Pop, Indie Pop
Duração: 53:05
Nota: 4.0
SoundCloud: /tracks/77290742

Se nos anos 60 alguém tentasse prever como a Música Pop soaria no futuro, um destes inúmeros cenários possíveis certamente seria o que coletivo norueguês Young Dreams produz hoje em dia – talvez a pessoa não imaginasse o uso tão grande do sintetizador, já que o instrumento começou a se difundir somente no fim da década, então não poderíamos culpá-la. A questão aqui é que é inegável que Between Places emana sonoridades daquela época, principalmente do The Beach Boys.

O Pop melódico, sereno e ensolarado desses noruegueses tem todos os ingredientes da sopa primordial do Surf Pop de Brian Wilson e sua turma, porém coloca também seus próprios, dando a sua cara àquilo e não simplesmente o servindo como um prato requentado. A forte percussão, o belo trabalho dos sintetizadores (que criam momentos realmente incríveis dentro de algumas faixas) e os floreios sinfônicos (principalmente em faixas como The Girl That Taught Me To Drink And Fight e Wounded Hearts Forever ) são alguns desses temperos que dão o toque especial ao som do grupo.

Mesmo tendo esse grande apelo nostálgico, não parece ser sua pretensão soar desta forma. Afinal, este não é um resgate a nada, somente influências tomando vazão em um nova mistura.

Justificando seu nome desde a primeira faixa, o coletivo despeja canções profundamente sonhadoras em seus ouvintes. Mesmo com certa confusão no inicio da faixa, Footprints mostra a qualidade do grupo em amalgamar diversos sons de forma orgânica e onírica. A parte rítmica bem marcada conduz a música que ainda apresenta belas harmonias vocais, batidas eletrônicas, sintetizadores, violinos e alguns efeitos a deixam com certo aspecto psicodélico.

Certamente é o Pop que conduz este disco, porém não aquele que é bombardeado nas rádios. Este é mais sutil, inteligente, quase hipnótico. Em faixas como Fog Of War isso fica em bem claro. Nesta, o estilo se dilui nas diversas sessões da canção que ora soa atual (quase radiofônica e carregada de elementos eletrônicos) ora saudosista e completamente perdida no tempo. First Days Of Something é outra que mostra essa qualidade extremamente Pop, porém vagando por terrenos mais comuns; belos, ainda assim. As guitarrinhas à la Vampire Weekend e as melodias praianas se juntam às várias camadas de sintetizadores e à (exemplar) percussão para formar um dos momentos mais memoráveis e divertidos da obra.

Incorporando de vez o espírito Beach Boys está The Girl That Taught Me To Drink And Fight. Esta faixa, quase ao fim do disco, escancara o quão influenciado os noruegueses estão pela obra seminal de Wilson. Ainda assim a banda apresenta sua própria assinatura, adicionando coro e instrumentação sinfônica ao seu habitual misto.

Um velho single fecha o disco. Recebendo o mesmo nome da banda, a faixa cria um misto gostoso entre o que ouvimos até então com toques de brasilidade, vindos principalmente da melodia tipicamente nacional e do nosso batuque que explode alguns momentos. Sem dúvida alguma, um dos pontos altos do disco. Não diria derivativo, mas certamente Between Places foi construído sob os alicerces deixados há mais de anos 50 na Música Pop. Ele ainda se apropria de mais alguns outros elementos estabelecidos neste tempo e cria algo não necessariamente novo, mas com grande frescor. E está aí seu maior mérito.

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ARTISTA: Young Dreams
MARCADORES: Art Pop, Dream Pop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts