Resenhas

Young Fathers – Tape Two

Segunda mixtape lançada no ano consolida o grupo baseado na Escócia como uma das grandes revelações de Hip Hop do ano. No entanto,mais uma vez somos jogados a um trabalho extremamente curto.

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Ano: 2013
Selo: Anticon
# Faixas: 9
Estilos: Hip Hop
Duração: 23:42
Nota: 4.0
Produção: Young Fathers

Young Fathers relançou no começo do ano, a sua elogiada mixtape Tape One EP. Nela, podíamos notar elementos do Hip Hop que seriam incorporados posteriormente no próprio estilo, mas que se escutados agora davam a impressão oposta, ou seja, de que o coletivo multiétnico é que devia ter se inspirado em outros artistas não o contrário. Agora, com o seu segundo trabalho, Tape Two, podemos conferir se o hype em torno do grupo é verdadeiro ou não.

A primeira faixa da mixtape é uma bela balada, já comentada no nosso Ouça. Nela, uma batida minimalista dá abertura para que um vocal melódico e emotivo tome conta da música. Os versos de Rap tem uma pequena participação, bem baixa em volume, por sinal, e o grande destaque fica por conta do refrão. A calmaria é até inédita de certa forma, mas não toma muito tempo desta pequena obra e logo em seguida percussões tribais e baixos estridentes tomam conta de Come to Life e Only Child, boas faixas mas que não demonstram um descolamento significativo do que foi criado anteriormente pela banda.

A curta e direta, Queen is Dead mostra que as inspirações em grupos como Asian Dub Foundation ainda estão presentes no dia do Young Fathers, enquanto Bones é somente um excerto de transição entre o lado A e o lado B da Mixtape. Aliás, é na segunda parte do EP que vemos este trio brilhar novamente, principalmente quando o seu viés melódico é focado novamente. Freefaling traz sons e timbres característicos da África, origem de dois membros da banda. No entanto, tais elementos funcionam como samples de introdução a composições enraizados no Hip Hop, principalmente através de batidas eletrônicas mais sintéticas.

Versos rápidos podem ser escutados em Mr. Martyn, faixa repleta de raiva e suspense. A tensão é sentida em cada acorde, e o refrão tem um papel relevante na faixa, soando como um grito desesperado. Como visto anteriormente, as músicas neste EP são curtas e não se importam em parecer somente degustações do que podemos ver aí. Way Down the Hole parece fadada ao sucesso com sua ótima transição entre uma balada tocada no começo, e um lado muito mais pesado, puxado para as pistas de dança quando uma sirene dá o toque de entrada para o Hip Hop violento e conhecido do grupo.E Ebony Sky encerra tudo como uma grande balada africana mas feita no ocidente, fato visto nos vocais puxados para as grandes rádios.

Esta linha tênue entre a melodia e agressividade do grupo é o que demonstra a sua verdadeira relevância enquanto os elementos tribais misturados a um Hip Hop contemporâneo mas diferenciado mostram que o Young Fathers tem espaço para brilhar ainda mais. Infelizmente, mais uma vez as faixas se mostram curtas e degustativas, feitas especialmente como chamariz para um disco que só deve chegar aos nossos ouvintes no próximo ano. Enquanto isso aproveite cada uma destas mixtapes, sendo a primeira uma ótima estreia enquanto a segunda é uma consolidação, de certa forma, do talento deste jovens de diferentes etnias.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.