Young Lights – Young Lights

Novo disco do grupo mineiro traz reflexão e auto investigação em trabalho maduro e sincero

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Ano: 2017
Selo: Quente
# Faixas: 8
Estilos: Indie Folk, Folk Rock, Post-Rock
Duração: 31:35
Nota: 3.5
Produção: Leonardo Marques

Young Lights é uma banda que caminhou muito nos últimos anos. Embora relativamente novo, ela começou esta jornada antes mesmo de ser formada, com seu criador Jairo Horsth se mudando cedo para os Estados Unidos e passando sua infância e adolescência em meio a influências Punk, Gospel e do Rock Cristão – esse último bastante presente no disco Cities, de 2015. Entretanto, apesar de transformadora, não é desta viagem que estamos falando, mas a que experimentamos ao ouvir as composições do conjunto. De um Folk mais tímido a arranjos mais explosivos, escutar Young Lights é perceber em suas introspecções uma sabedoria, tanto na escolha de timbres e ambientações em prol dessas descobertas como em letras maduras.

Assim, a banda chega em seu novo e autointitulado disco com mais certezas do que dúvidas sobre aquilo que deseja transmitir. Seu som foi mudando nos últimos quatro anos, mas, ao mesmo tempo, foram sendo acumulados elementos que fizeram parte da consolidação de sua identidade. Portanto, este novo trabalho soma características adquiridas ao longo do tempo, como a suavidade do Folk, a epifania do Post-Rock e a potência do Rock Cristão americano. Estas características são as que auxiliam a banda a criar bases que dialogam muito com suas letras, no sentido de potencializar o sentimento e a preciosidade que elas oferecem. Ou seja, mesmo que você não fale inglês, certamente compreenderá a essência de cada verso pela forma como ele é musicado e ambientalizado. Com a produção afiadíssima de Leonardo Marques, que dá um ar mais complexo e menos Lo-fi, Young Lights nos entrega um disco que nos convida tanto a refletir sobre aquilo que expõe quanto apenas apreciar as reflexões que os músicos fizeram.

Com uma introdução etérea, a faixa de abertura Chasing Ghosts já nos dá o tom da jornada presente aqui: nostálgica, porém grandiosa. Logo em seguida, o single Understand, Man complementa o aspecto saudoso, se questionando onde estão aquelas crianças que costumávamos ser. Old and Gray parece continuar com a temática do tempo, entoando um Folk marcante com destaque para seu refrão que lembra bastante as composições do conjunto inglês Cherry Ghost – cuja semelhança de timbre vocal entre as bandas é assustadora. Eyes Closed, mais calma, é um momento de tranquilidade perante todo o exercício mental e reflexivo que o disco apresenta, sugerindo influências de Bright Eyes e Local Natives. Por fim, Singing Bird (In A Cage) faz um intertexto entre um dedilhado Folk e a clássica melodia do repertório infantil Nana, Nenê, como se no final de Young Lights ainda fossemos crianças: ingênuas diante de nossas respectivas vivências.

Este talvez seja o trabalho mais ambicioso do grupo mineiro, principalmente pela certeza das sonoridades e o aspecto auto investigativo das letras. Young Lights se mostra cada vez mais um projeto cuja categorização dentro do gênero Folk é apenas uma formalidade, visto que sua estética é algo que evoca peças de diferentes naturezas, mas que conversam deliciosamente bem. Um disco sobre sobre o tempo e nossos eus.

(Young Lights em uma faixa: Old and Gray)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.