Resenhas

Yuck – Stranger Things

Terceiro disco da banda é o mais maduro até então

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Ano: 2016
Selo: Mamé Records/Balaclava Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Lo-fi, Shoegaze
Duração: 46:10
Nota: 3.5
Produção: Yuck

Yuck está em fase de crescimento. Desde seus primeiros registros, os músicos deixaram claro suas influências sujas dos anos 90 com uma melodiosidade Indie chorosa, fazendo com que a banda mostrasse uma personalidade forte, que ia além da simples nostalgia e homenagem. A saída de Daniel Blumberg afetou a personalidade do conjunto e assim, em 2013, com o lançamento de Glow & Behold a melodiosidade parou de ser coadjuvante e aquilo que era extremamente sujo tornou-se mais brando e Shoegaze, sem fazer economia nos reverbs. O que para alguns podia ser uma fase passageira, mostra-se cada vez mais complexa, e com o lançamento de seu terceiro trabalho, começamos a tecer algumas certezas sobre o destino do quarteto.

Stranger Things é um ponto de divisão, pois aqui a dúvida entre o sujo e o melódico nunca esteve tão concentrada. Ele é com certeza mais limpo que o disco de estreia da banda e, ainda assim, consegue ser mais sujo do que Glow & Behold. É como se Yuck estivesse em uma fase de auto-descobrimento, na qual revisita seu passado para aprimorar os gêneros que o tornou famoso. É um disco que está delimitado dentro de um quadrado, mas não chega a ser preguiçoso, uma vez que as composições são fortes e seguras da identidade criada pela banda. Uma das características mais interessantes é como o registro fica no meio termo entre as duas propostas expostas até agora, fazendo tudo de uma forma equilibrada, evitando desgastes por falta de coesão e unidade.

É um clássico conteporâneo do grupo. Há faixas que são tão Emo quanto Shoegaze (Swirling). Há também momentos em que o Indie dá o sabor final, mesmo que para isso ele tenha de fazer certos compromissos com o Pop (As I Walk Away). Obviamente, distorções sujas não ficam fora de Stranger Things (I’m Ok), fazendo uma ponte com os primeiros singles da banda, fato que pode agradar fãs mais old-school. E, por fim, o disco trabalha também com uma sutil Psicodelia, que não é grande o suficiente para “bater uma onda forte”, mas certamente dá um charme para a percepção geral do trabalho.

Yuck está crescendo, passando pela fase pré-adulta, na qual decisões devem ser feitas para que voos maiores possam ser alcançados, e Stranger Things é a prova disso. A banda faz uma junção bem calculada e coesa de tudo aquilo que quer ser, dosando distorções e reverbs e realmente caminhando para frente com uma maturidade bastante benéfica. Um álbum que deixa o grupo mais livre para experimentações em um futuro bastante aguardado.

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BOM PARA QUEM OUVE: Christopher Owens, Weezer, Real Estate
ARTISTA: Yuck
MARCADORES: Indie Rock, Lo-Fi, Shoegaze

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.