A Place To Bury Strangers em São Paulo

Banda nova-iorquina impressiona com performance histórica em sua primeira passagem pelo Brasil

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Nota: 5.0

Muitos fãs de Post-Punk/Noise Rock estavam esperando por esse dia, o dia em que o A Place to Bury Strangers (APTBS) tocaria por aqui. E o dia, enfim, chegou. A expectativa era grande, mas antes, para a abertura, tínhamos os ótimos paulistas do Single Parents.

Tocando um Noise Rock bem robusto e sabendo utilizar e dosar o noise como uma parte da música e não como a música em si, a banda apresentou boas músicas que fizeram o público se interessar pelo belo trabalho da banda. Ainda tiveram faixas onde o barulho se encontrou com o violino. Uma mistura que ao se dizer assim pode soar estranho, mas que casou muito bem. No final, ainda fizeram uma homenagem à banda Sonic Youth, uma influência para a banda, como dito pelos mesmos.

Após esse aquecimento, subia ao palco o incrível Oliver Ackermann e sua banda. Era a vez do APTBS, e a promessa era de um show extremamente intenso e pulsante. E a promessa foi correspondida. A banda tocou as músicas aguardadas pelo público. Sim, mas o destaque desse show foi a apresentação em si, o espetáculo que o ATPBS soube proporcionar para o público.

Logo de início, Oliver já começou a “surrar” sua guitarra, em meio a malabarismos, nas duas primeiras músicas do show. Tudo isso em um palco que contava apenas com iluminação vinda de quatro projetores focados nos integrantes e com muita fumaça, o que gerava um clima bem soturno e sombrio.

A emoção do público era evidente, contando até com algumas invasões de placo. As músicas eram cantadas com a banda – que, infelizmente, estava com o microfone baixo durante todo o show – em meio a balançar de cabeças e cabelos por todos os lados. Até mesmo uma roda punk foi aberta onde a empolgação era claramente notada.

Com uma bateria raivosa, um baixo furioso e uma guitarra agressiva, o ATPBS conduzia um show sóbrio, sem papo verbal com o público, mas cada nota, cada bater de bumbo eram como se fossem palavras. A interação física começou com Dion, o baixista, que foi agarrado e erguido pela platéia e que, pouco após ter sido jogado de volta ao palco, foi para o meio do público novamente.

Em certo momento, Oliver deixou os dois outros membros levando a música enquanto ia desligando os projetores, um a um, resultando num breu total na casa, que só foi quebrado com os flashs de luz branca que permaneceram até o final do show como única iluminação.

Na última música antes do bis, Ackermann mostrou como se “bem maltrata” uma guitarra. Em uma jam, foi solando sua guitarra até as cordas estourarem, e tudo isso em meio ao uso pesado de distorções, reverbs e fuzz. Dion não deixou por menos, deu com o baixo no chão quebrando um bom pedaço do instrumento.

No retorno para o bis, mais intensidade sonora vindo dos novaiorquinos. E, mais uma vez, veio uma jam, sendo essa para encerrar o show. Enquanto o baixo era terminado de ser totalmente destruído – tendo seus pedaços todos jogados para o público – a guitarra ia tendo suas cordas soltas uma a uma por Oliver, resultando em um som incrível. Som esse feito com a “ajuda” dos fãs próximos ao palco que tocavam na guitarra ajudando no noise.

Ao final da apresentação, a cara sisuda usada por Ackermann nas apresentações foi deixada de lado e surgia um músico simpático, sorridente e atencioso que distribuía apertos de mão, autógrafos e abraços. O APTBS fez um show de fazer o público pagar o ingresso novamente. Apresentou suas ótimas músicas, utilizou-se de intensa presença de palco, fez o público se animar e ainda retribuiu a atenção para esses. Simplesmente um show com letras maiúsculas, em caixa alta, assim como o som que a banda faz.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).