Baleia – Solar de Botafogo (RJ)

Primeiro show do álbum “Quebra Azul” atende às expectativas de um público de amigos e entusiastas do trabalho da banda

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Nota: 4.0

“Fazer show é difícil”, disse Gabriel Vaz, um dos vocalistas do sexteto Baleia, durante a apresentação de seu excelente Quebra Azul ao público do pequeno Solar de Botafogo, no bairro de mesmo nome no Rio de Janeiro. Com as dificuldades e a pressão de mostrar um dos melhores discos do ano no palco, a noite tinha chances de ficar marcada pelo nervosismo e ansiedade dos músicos, mas a alta qualidade de seu material garantiu que a beleza da performance fosse a lembrança que carregamos ao sair para a rua e o chuvisco.

Com uma plateia cheia de amigos e entusiastas do trabalho da banda, Baleia convidou um trio de cordas para ajudar na tradução das oito faixas do disco em formato ao vivo. Isso aconteceu com algumas surpresas que quem conhece bem as músicas reconheceu facilmente, com algumas delas sendo alongadas em pequenas jams (lembrando a raiz Jazz que a banda tem), enquanto algumas particularidades do álbum, como os finais súbitos de Casa e Despertador.

O show esquentou aos poucos, com o início em Motim revelando o grande inimigo da noite, aquele tal nervosismo. São muitos elementos para serem orquestrados ao mesmo tempo e o perfeccionismo dos seis músicos dá brecha pra ansiedade fazer a festa, mas a resposta positiva ao final de cada música (e, às vezes, no meio delas) possibilitou que a performance aos poucos encontrasse seu lugar e a segunda metade foi melhor que a primeira.

O ponto de mudança foi a sequência Furo e Furo 2 (Sangue do Paraguai), que vieram redondinhas e parecem ter injetado uma confiança maior no grupo. Depois delas, só mais pontos altos, como a sempre impressionante Breu e a magnífica (ainda mais ao vivo) Despertador, que encerra o disco e fechou a apresentação, concluída com Noite de Temporal, de Dorival Caymmi, no bis.

Foi interessante ver também de onde vem os sons presentes no álbum, seja o arco de violino passado na guitarra ou os timbais tocados a quatro mãos em determinado momento, além das trocas de instrumentos entre os músicos. Tudo isso só reforça as suspeitas que tínhamos do quanto Baleia e seu Quebra Azul merecem nossa atenção e respeito e fica a vontade de ver como serão os shows daqui pra frente, sem a pressão da estreia e com mais músicas do que o curto repertório do álbum.

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ARTISTA: Baleia
MARCADORES: Solar de Botafogo

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.