Beach House – Pitchfork Music Festival 2012

O duo hipnotizou os fãs com um show que seguiu o conceito de seu último álbum, “Bloom”, e fez uma das apresentações mais aguardadas do terceiro dia do festival

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Fotos: Monkeybuzz
Nota: 5.0

Há momentos em que apenas música é pouco para entreter uma plateia. Em outros, produção demais pode deixar o show com uma cara muito artificial. Agora, não há dúvida que, ao avaliar um show do duo Beach House, não há como separar as canções, figurino, cenário (palco), arte do álbum, clipes e tudo relacionado à banda. Com um dos figurinos mais elegantes do evento e um palco que lembra muito a lindíssima capa do disco Bloom, o duo iniciou sua apresentação no último dia do festival, atraindo um público mais calmo que compareceu no domingo para ver além deles, principalmente, Real Estate e Vampire Weekend. Toda essa produção é reflexo da ideia de fazer um álbum que não chega a ser conceitual, mas que tem todos seus elementos muito bem amarrados, como muito bem traduziu Nik Silva na resenha para o Monkeybuzz.

O Dream Pop é tendência, vide muitos nomes que tem surgido fortes ultimamente, que se não se encaixam completamente no gênero, mas tem um pezinho nele. O próprio duo americano não pode ter seu som limitado a apenas este gênero, mas, com certeza, dentre a safra de bandas com um som mais etéreo e melodias hipnotizantes, o Beach House está em um outro patamar, com quatro álbuns lançados, todos lindos, sucesso de crítica (principalmente pelo próprio Pitchfork) e que vem a cada novo trabalho conquistando novos fãs, inclusive alguns importantes, já que artistasconhecidos citaram a banda como uma de suas favoritas no momento – além do baixista do Dirty Projectors, que tocou dois dias antes com uma camiseta da banda, Julian Casablancas já citou a banda como uma de suas favoritas no momento.

Foi impressionante a maneira com que os dois, somados ao baterista Daniel Franz que vem acompanhando a banda, não só conseguiram traduzir o clima das músicas ao vivo, como potencializaram a maneira com que cada nota acaricia os ouvidos e a alma de quem está em volta e assiste sem piscar a cada movimento dos músicos no palco – atitude reforçada pelo fato de ter sido o show com o menor número de iPhones e câmeras fotográficas levantadas em que já fui nos últimos anos. Em alguns momentos, de tão quieto que ficava o público, parecia que não prestavam atenção, mas bastava um solo um pouco mais elaborado de guitarra, ou o intervalo entre as músicas para a audiência bater palmas e gritar sem parar. Plateia essa que era enorme, já alimentado por quem veio ver o Vampire Weekend que tocaria em seguida, mas a maior parte realmente queria assistí-los e sabia inclusive, boa parte da músicas de cor.

Tecnicamente, não há o que discutir: as guitarras de Alex Scally, o teclado, a bateria marcando bem as músicas e principalmente, a quase mística voz de Victoria Legrand, na minha opinião, a mais bonita de todo o evento, só preencheram ainda mais perfeitamente um show que não tinha como não ser memorável. Como de costume, o duo interagiu pouco com o público, pelo menos da maneira tradicional, conversando, pois o que faziam com a música vale mais do que qualquer conversa, mas era possível reparar em alguns sorrisos trocados entre os músicos, mostrando que realmente estavam curtindo o momento tanto quanto nós.

Norway, do terceito álbum Teen Dream, foi uma das canções mais comemoradas pelo público. Mas o destaque maior fica com o combo Other People e Lazuli do novo álbum, com os pequenos solos de Alex e sua letras com momentos feitos para cantar junto. Myth, faixa de abertura do disco e The Hours com seu início que lembra Because dos Beatles, só serviram para reforçar o sucesso que em pouco tempo, o novo disco da banda já faz entre quem os acompanha.

Era impressionante a postura dos músicos no palco, mostrando uma maturidade rara. Sem dúvida, este show, junto com Dirty Projectors, Cloud Nothings e diversos outros, são alguns que precisamos urgentemente que venham ao Brasil, ao invés de tanta coisa de menor qualidade que as curadorias de shows e festivais vem prestando atenção em nosso país.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.