Cloud Nothings – Pitchfork Music Festival 2012

Os garotos de Cleveland tiveram a oportunidade de fazer o show épico que toda grande banda de Rock precisa fazer um dia e não a desperdiçou

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Fotos: Monkeybuzz
Nota: 5.0

Que show! Já começo o texto entregando tudo e deixando claro que estes garotos foram responsáveis por um dos momentos mais incríveis de todo o festival. Para isso, devo contextualizar, dizendo que esse fim de semana foi um dos mais quentes do ano em Chicago, fazendo parte do verão que, segundo os jornais, é o mais intenso dos últimos cem anos nos Estados Unidos. Como não era esperado, mas já havia acontecido no dia anterior, a chuva deu as caras pra valer, no início da tarde, momento que coincidiu com o show do Cloud Nothings.

Os garotos entraram no palco agradecendo a presença de todos e a lotação do show me surpreendeu, já que na sexta-feira, as primeiras atrações estavam mais vazias. Devido ao pouco tempo de apresentação, assim como fizeram outras bandas, eles decidiram interagir somente com música e, neste caso, foi mais do que suficiente.

Eles fizeram um show de puro Rock, sem mais enfeites, com direito a amplificador estourando e as tradicionais rodinhas punk na lama, que tomou conta da área próxima ao palco. A plateia participava espontaneamente, com palmas e gritos, cantava junto praticamente o tempo todo, me lembrando bastante alguns shows do Pearl Jam em início de carreira que assisti em alguns documentários por aí. O som da banda é ainda melhor ao vivo, com destaque para o vocal característico de Dylan Baldi.

Mas, aos poucos, o vento (marca registrada da cidade conhecida como Windy City) começava a anunciar o temporal e um olhar de preocupação começava a tomar conta da produção que corria para encontrar lonas e cobrir os aparelhos mais delicados. A chuva começou fraca, foi apertando e nenhum integrante da banda parecia se importar. Houve um momento em que o guitarrista teve que parar para secar seus pedais, mas logo voltaram a, quase que literalmente, quebrar tudo.

A chuva ficava cada vez mais forte, mas ninguém deixava o local, provavelmente considerando aquilo um tempero a mais para a apresentação memorável dos americanos. Foi aí que no começo de Wasted Days, segunda faixa do álbum Attack On Memory, alguns membros da organização trocaram olhares preocupados fazendo sinal de que teriam que interromper a apresentação. Eles tentaram avisar os músicos, mas sem sucesso. Eles tocavam de cabeça baixa, cada um concentrado em seu instrumento e o público entrando em êxtase com a atitude dos garotos.

Mas o momento crítico estava para chegar e a produção definitivamente desplugou todos os aparelhos e desligou os amplificadores, atitude que provavelmente acabaria com qualquer show. Mas este não era qualquer show. Os garotos não pararam de tocar e sem dúvida alguma, continuariam até não aguentarem mais. Só dava para ouvir o barulho das cordas e da bateria tocada com todas as forças por Jayson Gerycz. Apesar deste momento de pura música, o ponto alto ainda estava por vir.

No final da faixa, há um trecho em que o vocalista repete inúmeras vezes a frase “I thought I would be more than this”. Sem se lembrar de que os microfones estavam desligados, o Dylan se dirigiu até ele para cantar, mas ao se lembrar e olhar decepcionado para o público, este correspondeu com um coro digno de torcida de futebol e que durou alguns minutos, fazendo a banda rir sem acreditar no momento que viviam.

Após esta música, os garotos encerraram a curta apresentação com direito a guitarra atirada sem piedade ao chão por um dos músicos em sinal de protesto à chuva ou à organização, ou quem sabe até não era um protesto e sim alguma forma peculiar de comemorar o momento. Sem dúvida alguma, este é aquele show clássico, que toda grande banda deve passar algum dia e que quando forem “famosos” contarão sorrindo em algum programa de entrevistas.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.