Dirty Projectors – Cine Joia, SP

Em show curto que priorizou seus dois últimos discos, Dirty Projectors encantou uma plateia qualificada em São Paulo

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Fotos: Fabrício Vianna/Popload
Nota: 4.5

Após ter assistido a um show praticamente perfeito do Dirty Projectors em Julho, no Pitchfork Festival, minha intenção (além de curtir muito) era tentar perceber em que a banda evoluiu na tradução do disco Swing Lo Magellan para os palcos. Na ocasião, o disco havia sido lançado há apenas três dias e a banda havia feito apenas um show de lançamento do disco em Nova York antes do festival. Posso dizer que nada mudou muito.

O fato de a banda não ter evoluído significativamente com o disco nos palcos nesses últimos cinco meses não quer dizer muita coisa, pois, desde o início, a intimidade que todos os integrantes pareciam ter com as faixas e a opção que tiveram desde o início de tocar o disco praticamente inteiro em um show mostram o quanto a banda não vive do sucesso passado e entende que Swing Lo Magellan pode ter sido um marco ainda maior para eles do que foi o anterior e ainda mais experimental Bitte Orca. Sem me preocupar muito com a exatidão das minhas estatísticas, arrisco dizer que 80% do curto show foi dedicado à última obra dos nova-iorquinos.

A duração, aliás, foi o único ponto fraco da apresentação que durou praticamente uma hora, deixando o público com uma sensação unânime de “quero mais”. O grupo abriu com a tranquila Swing Lo Magellan, que ficou faltando na apresentação de Chicago, e em seguida veio logo um dos pontos altos, a faixa de abertura do último disco, Offspring Are Blank, que parece traduzir tudo de bom que o álbum tem. Trechos mais melódicos, riffs de guitarra mais pesados, backing vocals e percussão marcada estavam presentes e marcariam também o restante da apresentação. Em geral, foi uma noite muito nivelada por cima, na qual dificilmente dá para citar pontos de grande destaque. Pessoalmente, See What She Seeing e Irresponsible Tune foram duas que me fizeram viajar completamente no momento e esquecer de qualquer coisa.

Os vocalistas Dave Longstreth e Amber Coffman estão cada vez mais entrosados e parecem ter papeis bem definidos dentro da banda. Ele parece ser realmente a mente inquieta e criativa do grupo, fazendo caras e bocas e parecendo estar fazendo algo que ama de verdade. Já Amber é de uma técnica e frieza impressionantes, atrás da aparência e voz doces, parece estar uma mulher de personalidade e que parece ser o outro lado da balança para trazer Dave de volta à realidade a qualquer momento mais viajado do líder da banda.

Os outros membros do grupo também são tecnicamente impecáveis e tem papel ainda mais importante nas apresentações ao vivo, tornando o som da banda mais completo e preenchendo qualquer espaço vazio, sendo essa inclusive, uma das principais características dos shows do Dirty Projectors. Todas as faixas são muito completas ao vivo, sem trechos silenciosos, devido à riqueza de instrumentos e influências trazidas pelo grupo, deixando o público sempre boquiaberto.

Infelizmente, independente do show, a plateia brasileira tem me parecido cada vez mais mal educada, sentindo uma intimidade inexistente com a banda, que só não causou grandes desconfortos a eles pois não entendiam uma palavra do que era gritado pelos mal educados. Pelo contrário, a banda recebeu positivamente essa empolgação exagerada dos paulistas e parecia bastante satisfeita no Cine Joia, acompanhada não só por nós, meros mortais, mas também por artistas, produtores, DJs, críticos e Caetano Veloso naquela deliciosa noite de sexta-feira.

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MARCADORES: Cine Joia

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.