Flying Lotus – Sónar SP 2012

DJ justifica o hype ao seu redor com um set completo que passeia por grandes estilos de música de diversas décadas combinados à Eletrônica

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Fotos: Daniel Vorley
Nota: 4.5

Flying Lotus é um daqueles fenômenos que surgem de tempos em tempos na música, sob muito hype, sendo considerado salvação ou criador de gêneros – algúem que ultrapassaria fronteiras musicais. Será que tanta expectativa é justificável? Sobrinho-neto da pianista e compositora Alice Coltrane, ex-esposa do lendário saxofonista jazzista John Coltrane, podemos dizer que seu background familiar é extremamente favorável. Criando um estilo próprio que joga batidas quebradas e baixos altos sobre hip-hop, jazz, rock, FlyLo mostrou o porquê de ter tido considerado o seu albúm, Cosmograma (2010), um dos melhores daquele ano.

Vale ressaltar como esta resenha foi feita: Dado que o show do DJ começava meia hora antes do Mogwai, pude conferir ao vivo os primeiros 30 minutos do show, sendo que o restante foi visto via vídeos do YouTube divulgados pelo Sónar. Entretanto, posso afirmar que mesmo vendo metade do show naquela noite de sábado, já poderia considerar a apresentação de FlyLo umas das melhores dos dois dias do festival.

Jogando na pista um setlist com batidas reconhecíveis de seus álbuns, o DJ impressiona quando começa a demonstrar o que algúem bom de seu ofíco faz: criar músicas. Ele o faz a partir de camadas alternativas, misturando tudo e transformando numa composição de Hip-Hop/Jazz. Vemos batidas cortadas interagindo com um telão que mostrava um vídeo que poderia muito bem ter sido tirado de algum jogo em Flash. Outro fator importante nesse caldeirão é que os sons remetem a batidas 16-bits dos videogames, criando uma atmosfera interdisciplinar, atual e fresca para a geração que FlyLo toca.

Um exemplo do que o DJ faz ao vivo pode ser conferido logo no início do vídeo do show dele no YouTube, que começa com uma gravação de um rapper falando com a galera, para jogar em um lado do palco uma batida que ele viria a revelar ser de seu próximo trabalho, enquanto na outra caixa toca o início do clássico Stairway to Heaven do Led Zeppelin. As músicas vão se fundindo até a virar uma coisa só, ao mesmo tempo que tem unidade com o que é demonstrado no telão.

Logo em seguida, uma nova música é criada e batidas minimalistas junto a um baixo crescente e outros instrumentos dão o climão Hip-Hop na faixa. Flertando com vários estilos, é difícil não se identificar com alguma criação do DJ. A homenagem ao falecido Adam Yauch, MCA, do Beastie Boys com Intergalactic foi especialmente bonita, com o público indo a loucura, cantando e pulando loucamente. Tocaria ainda Machine Gun do Jimi Hendrix no meio de todo caldeirão e Idioteque do Radiohead, lançanda no longínquo 2000, mas que soa tão natural e nova na atual cena eletrônica, mostrando como esse grupo sempre esteve a frente do seu tempo. Perfeito.

Por misturar tantos gêneros, criando um som realmente único, FlyLo se supera dos demais e mostra que está ultrapassando as fronteiras da música eletrônica, justificando todo o hype em cima de seu trabalho. Pensando friamente, todas as referências aos ritmos passados que foram símbolos em suas gerações estão presentes na obra de FlyLo: o Jazz nos anos 40/50, o Rock (anos 60/70), o Hip-Hop (anos 90), e a música eletrônica (anos 80 em diante), sendo difícil não capturar o público que aprecia qualquer um desses estilos. Com uma retrospectiva autoral, misturando tudo isso a batidas quebradas, referências a games e o baixo alto característico dessa geração, FlyLo merece ser considerado um must see act por todos aqueles que apreciam não só a música eletrônica, mas música em geral.

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ARTISTA: Flying Lotus
MARCADORES: Sónar SP 2012

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.