Glue Trip – SESC Pompeia, São Paulo

Duo de João Pessoa abrilhantou a noite de terça feira com seu potente som experimental e altamente acessível

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz
Nota: 5.0

O ano começou muito bem para o duo paraibano Glue Trip, que, após alguns singles colocados em sua página do Soundcloud, conseguiu impressionar e conquistar muita gente com seu amálgama psicodélica. Mal se passaram quatro meses desde o começo desta nova fase da banda e nós, paulistas, já podemos acompanhar ao vivo as belas composições lisérgicas de Lucas Moura e Felipe Augusto em um show realizado em parceria ao SESC Pompeia no projeto Prata da Casa.

Em uma impecável apresentação, a dupla (que no formato ao vivo virou um quarteto, ganhando a presença de um baixista e um baterista) conseguiu transpor suas experimentações de estúdio para os palcos com grande maestria. Muitas delas conseguiam superar as versões gravadas, ganhando jams e solos estendidos – em algumas ganhando grande peso do par de guitarras e muito da dinâmica, ferocidade e beleza vistas em bandas de Post-Rock e em outras ganhando a leveza e sublimação do violão em um flerte com a música brasileira.

Tocando logo de caras as faixas instrumentais, Tropikaoss e Júlio, o grupo deixou evidente o tom enérgico que a noite teria. Ganhando grande peso, as faixas abusavam das guitarras para prender a atenção dos presentes. Lucas e Felipe seguiam uma boa mecânica no palco, alternando solo e base em seus respectivos instrumentos – mostrando um belo entendimento musical entre a dupla. A partir dali ficava claro também o papel que a “cozinha” (bateria e baixo) teria para o show; ambos, muitas vezes, ganhando tanto destaque quanto o par de instrumentos empunhados pelo duo formador.

O público se mostrava tão entusiasmado quanto à banda, aplaudindo e incentivando a apresentação. O duo superou a timidez do inicio e ao final do show já se comunicava livremente com os presentes, sempre agradecendo a presença de todos e ainda parecendo meio incrédulos de estar ali com tão pouco tempo de projeto.

La Edad Del Futuro veio na sequência. Ela ganhou o acompanhamento do violão e do sintetizador em um agradável respiro à aura roqueira que tomou conta de grande parte do show. Mesmo se enveredando por terrenos mais Pop, ela também ganhou as pirações instrumentais, se estendendo e ganhando algumas ótimas improvisações. Em meio as suas próprias faixas, o grupo ainda arrumou tempo para tocar alguns covers, com destaque para Sundown Syndrome, do Tame Impala – tocada novamente como bis depois de alguma insistência do público.

Birds Singing Lies e Elbow Pain também apareceram no curto, porém potente, set do grupo. Esta segunda, foi a apoteose do show. Ela é uma das melhores canções do duo e se provou ainda melhor em sua versão ao vivo. Conquistando desde já a posição de uma das bandas mais interessantes do momento, Glue Trip fez uma apresentação exemplar, mostrando grande domínio sobre suas músicas e grande habilidade em transpor as experimentações do estúdio para o palco.

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ARTISTA: Glue Trip
MARCADORES: SESC Pompeia

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts