Gogol Bordello – Lollapalooza 2012

Imagine o show mais animado da sua vida, um que consiga empolgar milhares de pessoas de uma só vez em um ambiente envolvente e convidativo para a festa. Foi essa a experiência que a banda de Punk Cigano proporcionou no festival

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Fotos: Dave Mead
Nota: 5.0

A força transcontinental do Gogol Bordello fez um show impecável no Lollapalooza em que nenhum calor excessivo ou poeira conseguiu atrapalhar.

Os músicos que acompanham o ucraniano Eugene Hütz já estavam no palco momentos antes da apresentação, ajudando a afinar seus instrumentos e passar o som, acenando em resposta aos aplausos do público. Na hora marcada, Hütz se juntou à banda logo após a entrada mítica do MC e percussionista Pedro Erazo, mascarado e vestido com um uniforme de gari da prefeitura do Rio de Janeiro.

Erazo e Hütz não eram os únicos que comandavam a farra, já que os outros músicos participavam ativamente do convite à festa que a banda promovia sob o forte sol do início de tarde. Mesmo quem só conhecia o Gogol Bordello de ouvir falar disputou um bom lugar em frente ao palco Butantã para participar da celebração.

O vocalista encharcava o torso nu de vinho e, vestindo uma calça de capoeira com a bandeira brasileira estampada, incitava a roda punk no meio do gramado cheio de terra, o que fez com que uma grande nuvem de poeira levantasse em toda aquela área do Jockey Clube. Mas isso não era um problema para o público, que curtiu como nunca pular e cantar hits como Wonderlust King, Immigraniada e Start Wearing Purple, cada uma de um disco diferente da banda.

Atrás da banda, um enorme cartaz amarelo já deixava claro desde o começo o clima que a apresentação teria, com os dizeres “Gipsy Punk” (“punk cigano”, que é como a banda define seu som), ao invés do nome Gogol Bordello. Quem estava ali não viu apenas uma apresentação do grupo, mas teve a chance de fazer parte do estado de espírito que os músicos promovem, uma festa em que não é a banda o protagonista, mas sim sua música – e isso propagado aos muitos milhares de participantes que dançavam e pulavam juntos na experiência que apenas um grande festival assim poderia proporcionar.

O prejuízo é, daqui pra frente, termos que lidar com a ideia de shows animados que dificilmente chegarão aos pés dessa apresentação, que elevou para sempre o nível do que é uma performance divertida e convidativa. Aliás, fica difícil até imaginar como é que a gente se empolgou tanto até agora com músicas festivas que não tem violino, sanfona e um rapper equatoriano para nos agitar.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.