Grimes – Pitchfork Music Festival 2012

Canadense faz show performático e divertido, mas que não transmite a mesma sensação de seu excelente trabalho Visions

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Fotos: Monkeybuzz
Nota: 3.5

Chegava ao fim o dia mais lotado do festival – o único em que não havia mais ingressos algumas semanas antes – e já era possível ouvir uma discussão típica do evento organizado pelo Pitchfork. Quem seria o headliner? A canadense Grimes ou os Post-Rockers conterrâneos do Godspeed You! Black Emperor? A questão só seria respondida (ou não) após assistirmos ao show e vermos qual seria o set mais comprido. Uma pista já podia ser encontrada, já que o GY!BE tocava no palco verde, o maior de todos, que abrigou Feist no dia anterior e que seria usado pelo Vampire Weekend no domingo.

Não importa, a ideia do festival é justamente esta: manter um equilibrio, tentar não chamar um headliner muito maior, que ofusque os outros artistas – como foi o primeiro dia do Lollapalooza Brasil com a apresentação do Foo Fighters. Mas por que eu estou enrolando tanto e não falo logo de como foi o show? Porque essa foi, justamente, uma das grandes curiosidades do festival. Claire Boucher e seu badalado projeto não eram os headliners, tocavam em um palco menor e com um setlist que mais parecia um teaser, de cerca de seis músicas. Mas, ao mesmo tempo, era um dos show mais cheios do fim de semana até então. Todo mundo, independente da idade, gosto musical ou gênero, queria ver a garota que, praticamente sozinha, com um espírito do it yourself, conseguiu fazer um álbum com tanta alma e emoção quanto o seu Visions.

Quando cheguei, Grimes já estava no palco ajustando os últimos detalhes do áudio, acompanhada de um amigo (e, pelo que entendi, produtor de algumas músicas da artista) no teclado e de dançarinas, todos vestindo um figurino exótico. Realmente a atmosfera que pairava era a que já prevíamos ouvindo ao álbum.

O show começou e as “dançarinas”, que dançavam mal e sem coreografia nenhuma, parecendo mais serem amigas de Claire, foram à frente do palco e os holofotes passaram o show inteiro em ambas. Grimes é muito performática no palco, fazendo caras e bocas, dançando muito com seu jeito particular, deixando a sensação de que era uma garota brincando de fazer música, mas o resultado foi excelente como o que já conhecemos.

Além das faixas já conhecidas, Grimes improvisa bastante no palco, como na maioria dos shows de música eletrônica, e em alguns momentos é difícil saber que música está sendo tocada. Destaque para Oblivion, que foi acompanhada de uma fumaça colorida que invadiu o palco, e para Genesis, que era sem dúvida, a preferida do público, que a acompanhou com palmas do começo ao fim. Alguns latidos, gritos, rugidos e gemidos eram executados ao vivo pela cantora na transição entre as músicas, fazendo todos rirem, produzindo um efeito bem legal na música.

Apesar de tecnicamente excelente, esperava um algo a mais no show da cantora. Ao vivo, as músicas pareceram não funcionar com a mesma emoção do disco e, somadas à postura de menina descompromissada de Claire e seus companheiros no palco, a sensação foi que, apesar de um bom show, as faixas não foram realmente pensadas para serem tocadas ao vivo, foram uma simples reprodução do disco, somadas a um pouco de improvisação.

Sem dúvida, sabemos que Grimes ainda tem muito a evoluir, inclusive nessa atitude de fazer tudo sozinha, em que deva talvez pegar alguns conselhos de artistas como o Beach House, que combinaram postura, palco e música muito bem.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.