Grizzly Bear – Cine Joia, SP

Banda nova-iorquina mostra aos paulistanos por que seu show é um dos mais disputados no mundo atualmente

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Fotos: Fabrício Vianna/ Popload
Nota: 5.0

Foi em meio à chuva, filas e noite de Super Bowl que a Grizzly Bear finalmente fez seu primeiro show no Brasil. Aos poucos, a fila causada pela maioria das pessoas terem chegado ao mesmo tempo e as poucas pessoas que haviam para checar os ingressos foi passando e os fãs foram lotando o Cine Joia em um dos primeiros grandes shows internacionais do ano.

A banda dispensa apresentações, ainda mais após ter sido responsável por um dos discos mais bonitos do ano passado e estar ganhando fama cada vez maior por suas apresentações ao vivo.

Os músicos subiram ao palco com Speak In Rounds, faixa ótima de abertura por conseguir, em um crescente que empolga, apresentar todas as melhores características da banda. Ela tem seu trecho mais calmo, valorizando a composição e impressionando pela potência vocal de Ed Droste e, ao mesmo tempo, chega em um ápice típico da banda, acelerando o ritmo e misturando os intrumentos em um caos ordenado que só valoriza a qualidade dos instrumentistas e apresenta também a voz de Daniel Rossen.

Sleeping Ute veio em seguida, trazendo a maior surpresa da noite. Não por parte da banda, que essa, não conseguiria executar de maneira menos impecável a faixa que ganhou o segundo lugar em nossa lista de melhores de 2012. O inusitado veio por parte do público, que em muitos shows do mesmo porte não mostra tanta empolgação, mas no trecho “But I can’t help myself” já protagonizou um dos momentos sing-along mais incríveis de 2013.

Não citar a importância que cada música teve para a apresentação como um todo é quase que um crime, mas ao mesmo tempo, faz muito sentido analisar o setlist com uma unidade e um sentido próprio do conjunto. A escolha das faixas parece ter sido feita de uma forma muito orgânica para a banda, sem se preocupar em deixar sucessos para o final ou em ter momentos para segurar ou levantar o público. Impressiona a narrativa que foi criada e a forma com que a banda consegue contrastar momentos de destaque das harmonias vocais e simplicidade dos intrumentos, ressaltando a veia Folk do grupo, com as fortes distorções de guitarra e o já citado caos instrumental, revelando reverência ao Rock e à psicodelia.

Entre os destaques, além das já faladas, impossível esquecer de Yet Again, Gun-Shy, Two Weeks e a já tradicional versão acústica de All We Ask, que conseguiu deixar a plateia (quase) em silêncio e boquiaberta para encerrar a apresentação. Pessoalmente, Sun In Your Eyes acabou com qualquer dúvida da qualidade presente e ainda despertou a reflexão sobre o futuro da banda e o que de mais incrível nos espera.

Shields, foi tocado quase que por completo. Escolha certeira, pois se Veckatimest (2009) já a tinha tornado popular, o novo disco elevou a banda a um outro patamar: o das bandas para se admirar. Suas faixas são mais épicas e, ao mesmo tempo que contam histórias quando pensadas individualmente, quando tocadas em conjunto, ganham força ao vivo, tornam-se canções para sentir no peito e ouvir com o corpo inteiro. O show, assim como os trabalhos de estúdio, tem uma riqueza de detalhes e pequenos elementos estrategicamente colocados, como a introdução vocal do baixista e produtor do álbum, Chris Taylor, em Knife, tocada no bis, evidenciando ainda mais a importância e qualidade de cada integrante.

Os shows internacionais prometem se tornar rotina na vida dos brasileiros em 2013. Se mantiverem a qualidade, a beleza, e principalmente a momento de pura música proporcionado pela Grizzly Bear, estaremos muito bem, obrigado.

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ARTISTA: Grizzly Bear
MARCADORES: Cine Joia

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.