Jair Naves – SESC Belenzinho, SP

Em seu primeiro show de 2013, músico e sua banda fazem uma apresentação impecável do álbum “E Você Se Sente…” para o público paulistano

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Fotos: Todas as fotos de Leonardo Mascaro
Nota: 5.0

2013 começou bem para Jair Naves e para todos os que compareceram ao seu primeiro show do ano no SESC Belenzinho no sábado, 19 de janeiro. Em uma noite emocionada, músico e banda mostraram as músicas do disco E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas (2012) em uma performance intensa e impecável à altura de suas composições.

Abrindo a apresentação já com Pronto Pra Morrer (O Poder de uma Mentira Dita Mil Vezes), assim como se inicia o álbum, ficava evidente o tom enérgico que a noite teria. Jair se entrega com todo o corpo para cada um dos versos e acordes, uma herança bem trabalhada de sua origem no Punk e moldada ao longo dos tantos anos que resultaram nesse primeiro disco solo.

Parte do público no teatro do SESC já o acompanhava há muito tempo, desde essa época, com nítidos carinho e reverência, mas sem perder a cumplicidade orgânica do Rock, como na hora de acompanhá-lo ao gritar o “1, 2, 3, 4” no início das músicas. Para alguns, a experiência de assistir ao seu show sentado era inédita, mas os merecidos aplausos não eram intimidados pela distância entre o palco e as poltronas.

As respostas calorosas não vinham só ao final das músicas, mas também para demonstrar receptividade aos pequenos discursos entre algumas delas, principalmente naqueles mais pessoais (que combinavam muito bem com suas composições), como quando o artista falou sobre o carinho e respeito à sua mãe – que assistia naquela noite a um de seus shows pela primeira vez, porque ali era o primeiro lugar em que ele tocava “digno de sua presença”. Emocionado, ele dedicou a ela Maria Lúcia, Santa Cecília e Eu, faixa que fez em sua homenagem.

Mas tanta comoção não ofuscava a qualidade de seu trabalho. Jair mostra-se como um dos poetas que muito provavelmente marcarão esta geração e por ver seu espetáculo sentado no teatro, ao invés de em pé em alguma casa de shows, dá a oportunidade de prestar mais atenção em sua lírica, assim como em sua performance por si só. É inquestionável o quanto ele sabe utilizar sua técnica e mesmo a emoção a favor de seus versos, citando Ângela Ro Ro como uma de suas recentes admirações e, assim, revelando o patamar de artista ao qual ele se projeta.

Após as dez faixas de E Você Se Sente…, com amparo de acordeão em No Fim da Ladeira, Entre Vielas Tortuosas e acompanhado apenas do guitarrista ao violão em grande parte de A Meu Ver, músico e banda retornaram para o bis com mais três canções de outras épocas após um intervalo quase inexistente, o mesmo ritmo que ecoou ao longo de sua apresentação, com algumas das canções emendadas umas nas outras sem muito tempo de respiro. Um emocionante, inspirador e mais do que agradável atropelamento que reverberou não apenas em mais uma apresentação no domingo, mas internamente nos dias porvir de todos os que compareceram no sábado.

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ARTISTA: Jair Naves
MARCADORES: SESC Belenzinho

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.