Morrissey – Live Music Rocks

Após 12 anos de espera, 8 mil fãs assistem apresentação emocionante do cantor que soube variar entre canções recentes e os sucessos de sua antiga banda

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Fotos: Adriano Vizoni/Folhapress
Nota: 4.5

As camisetas da banda com a frase “ASSAD IS SHIT” que protestavam contra o presidente sírio e as críticas ao príncipe Harry em visita ao Brasil foram coadjuvantes no show de Morrissey deste domingo em São Paulo. Se protestos como esses não significaram muito para o público presente no Espaço das Américas, não é possível dizer o mesmo do repertório do cantor.

Difícil comentar a relação que o inglês criou com seus fãs desde 1982, quando formou os Smiths. 12 anos se passaram desde sua última visita à cidade, mas a sensação que fica é a de que o cantor continuou encontrando diariamente todos lá presentes através de suas composições. A sinceridade com que Morrissey escreve suas letras, que mais parecem diálogos, criou uma intimidade com o público que poucos tiveram o privilégio de desfrutar na história da música.

Ele entrou no palco de camisa aberta e crucifixo pendurado no pescoço, encenando cada música de maneira única e enlouquecendo a plateia. Clássicos da carreira solo do cantor, como Everyday is Like Sunday, I Will See You in Far-Off Places e a primeira da lista, First of the Gang to Die, já haviam cumprido o papel de tornar aquele domingo inesquecível, mas I Know It’s Over, ainda de sua fase com a banda, veio em forma de êxtase de Morrissey no palco e abriu a temporada de lágrimas que tomaram conta do restante da noite.

O setlist mesclou sucessos da época dos Smiths como There Is a Light That Never Goes Out, How Soon Is Now e uma versão ainda mais calma e pausada de Please, Please, Please Let Me Get What I Want com outros já de sua carreira solo na mesma proporção em que o público estava mesclado entre quarentões e jovens por volta dos 20 anos que o cantor vem recrutando com o passar dos anos. 19 músicas, seis delas dos Smiths, preencheram pouco mais de 1h30 de show.

Apesar de um pouco mais curto do que se espera de artistas do calibre de Morrissey, foi o bastante para deixar vermelhos os olhos de grande parte das oito mil pessoas que esgotaram os ingressos para a apresentação deste domingo. Difícil dizer se as lágrimas eram em sua maioria de excitação por estar vendo um dos ídolos de uma geração encenando ao vivo muitas das mais marcantes canções do pop britânico, ou se eram realmente por uma identificação forte de todos com as pessoais, mas ao mesmo tempo, universais letras do compositor.

Tecnicamente, ele e sua banda foram impecáveis como de costume. No auge de seus 52 anos, a voz do cantor ecoava na não excelente, mas boa, acústica do Espaço das Américas que abrigará ainda este ano o reencontro do Los Hermanos e o show de Noel Gallagher, este último também pelo projeto Live Music Rocks da XYZ Live, que trouxe o ex-Smith nesse final de semana à São Paulo. O telão que não funcionou, o chão escorregadio e alguma falta de organização na disposição da entrada da Pista Premium foram alguns pequenos imprevistos chatos, mas que não chegaram a atrapalhar a noite emocionante para quem estava presente.

Entre uma música e outra, Morrissey mostrava-se realmente feliz com a reação do público. Antes de encerrar com One Day Goodbye Will be Farewell, ele entrou no palco com a bandeira do Brasil enrolada na cintura e repetiu algumas vezes “I can’t go on, I’m too nothing”, dizendo que era um nada perto do que são seus fãs.

Foi possível perceber que o cantor veio com shows bem planejados para suas apresentações na América Latina. Mas, como de costume, o Brasil o surpreendeu com todo o amor que um fã pode ter por seu ídolos e arrisco dizer que a marca deixada por Morrissey no Brasil foi tão grande quanto a que nós deixamos nele. Espero que não demore mais 12 anos para podermos ter essa certeza.

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ARTISTA: Morrissey

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.