of Montreal

A banda levou sua esquizofrenia psicodélica para o Cine Joia e estranhamente optaram por não tocar nenhuma música do novo disco

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Fotos: Amanda Mont'Alvão Veloso, R7
Nota: 4.0

Psicodélico. Esse é o melhor adjetivo para definir o show do of Montreal. A apresentação tinha esse como o ingrediente principal e nele eram acrescentados guitarras distorcidas, sólidas linhas de baixo, melodias quase sempre dançantes e alegres, um vocalista performático e assistentes de palco que vez ou outra roubavam a cena. O show teve animais no palco (um deles tocou bateria e o outro morreu), lutadores de luta livre ao estilo mexicano, uma apresentação sensual no quase strip-tease de Kevin Barnes, chuva de papel e participação de outros seres bizarros, entre outras coisas que faziam a apresentação ficar cada vez mais surreal.

Tudo isso parece estranho, mas ver o show é realmente uma experiência única – é como se estivesse nos anos 60 durante uma viagem de ácido, em que coisas realmente loucas acontecessem ao seu redor e ficassem cada vez mais loucas, chegando a um momento que realidade e sonho eram a mesma coisa. Foi bem esse o clima da apresentação, que a todo momento nos surpreendia como alguma projeção lisérgica no telão ou com alguma aparição não menos estranha no palco.

Curiosamente, o show não apresentou nenhuma música do novo disco Paralytic Stalks, lançado no começo desse ano. O set foi quase todo composto pelos álbuns The Sunlandic Twins (2005), Fauna, Are You The Destroyer? (2007) e Skeletal Lamping (2008). A música mais recente apresentada foi Coquet Coquette tirada de False Priest (2010).

Se lembra da psicodelia que falamos? Ela estava presente não só na sonoridade da banda, mas também na aparência de seus membros, que traziam em suas roupas essa aura lisérgica – o vocalista Kevin Barnes veio com um traje sessentista cheia de babados, o guitarrista Bryan Poole como uma espécie de Flintstones moderninho que usava óculos, a tecladista Dottie Alexander com seu vestido hippie, o baixista Davey Pierce como um Beatle na fase Sgt. Peppers e, claro, os assistentes de palco que a cada hora apareciam de uma forma: como mulheres nuas, um porco e seu caçador, seres inexistes (isso logo na segunda música, quando, trajando preto, jogaram bexigas na plateia) e também com um ser alado e macabro que apareceu durante uma das músicas do set.

A festeira e Pop Suffer For Fashion abriu a noite, que passeou entre o Pop, Rock e o Country, tudo isso reflexo da própria pluralidade e ,por que não, esquizofrenia que a banda apresenta em seus discos. No clima de sensualidade St. Exquisite’s Confessions contou com “mulheres” nuas se insinuando e o strip-tease de Barnes. Em She’s A Rejecter os assistentes se jogaram no público e passearam pelo Cine Joia sendo carregados pela plateia.

The Past Is A Grotesque Animal, com seus mais de onze minutos, fechou a apresentação (antes do bis) em um turbilhão de guitarras e distorção, em uma espécie de catarse coletiva que músicos e plateia partilhavam um momento único, no qual o quase fim da viagem foi também seu clímax. Muito aplaudida, a banda ainda voltou para mais duas músicas: A Sentence Of Sorts In Kongsvinger e Heimdalsgate Like A Promethean Curse, que fecharam a noite lisérgica no maior clima de festa .

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ARTISTA: of Montreal
MARCADORES: Cine Joia

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts