Planeta Terra Festival 2013: Beck

Um dos pais da música alternativa dos EUA fez um esperado show repleto de sucessos e passou por diversos estilos musicais sem perder o público.

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Fotos: Fernando Galassi
Nota: 4.0

O encerramento do palco Smirnoff, o chamado palco alternativo de um festival, não poderia ter sido mais bem feito do que através da ótima figura de Beck. Trajando roupas e um chapéu preto, o músico mais parecia um pastor ao despejar o seu Rock Alternativo dos anos 1990, gênero que neste período era eclético e tangia diversos estilos, do Hip Hop ao eletrônico, do Blues ao Pop.

Sempre vi o músico como um grande irônico dotado de muito talento musical e sinceridade. Dentre a sua grande carreira temos discos pessoais como Sea Change sobre o término de um relacionamento até o maior sucesso de sua carreira, Loser que teve o seu refrão cantado a plenos pulmões e sem julgamentos em um dos grandes momentos do show: ”Soy un perdedor I’m a loser baby, so why don’t you kill me?”. Um cara comum que faz música sempre buscando inventividade.

O começo do show foi matador com três clássicos logo de cara: Devil’s Haircut, Novocane (ambos do clássico disco Odelay de 1996) e a não menos importante, Loser. Corajoso com sua escolha ousada, o músico soube manter o público atento com muita simpatia e um conjunto de apoio compacto mas eficiente. Quase nenhum disco foi esquecido ao longo de 20 faixas, coincidindo tanto momentos de euforia como de introspecção.

Golden Age e Lost Cause fizeram a dobradinha emotiva, nada mais justo e pertinente para as músicas de Sea Change. Enquanto Gamma Ray e Modern Guilt do auto entitulado disco de 2008 mostravam que apesar dos cinco anos nas costas, ainda possuem ares muito modernos dentro da música Indie. No meio de show, após a sentimental Debra, Beck disse “eu não posso mais, não aguento”. Como um verdadeiro showman, sai do palco em direção ao backstage para rapidamente não decepcionar o público e voltar com uma capa de brilhantes enrolada e se ajoelhar no palco.

Um pouco de Hip Hop em Hotwax, Blues em Soul of a Man e eletrônico em Get Real Paid abriam o leque de gêneros do músico e fizeram uma verdadeira aula musical no último show antes do esperado Blur. Covers foram escolhidos a dedo com Tainted Love de Gloria Jones e Billie Jean de Michael Jackson, “Será que podemos tocar isso? Tem músicas que não conseguem ser superadas pelo original mas vocês nos dão essa chance?” diria Beck antes de colocar todos pra dançar e pensar que realmente tanto tempo após seu último show no já longínquo Rock in Rio de 2001 não poderia ser mais aceito daqui em diante.

Where is it encerraria o esperado retorno de Beck ao Brasil com mais uma faixa do clássico disco Odelay após 1:20 de show, e o músico dizendo os costumeiros agradecimentos acompanhados de um “nos vemos muito em breve”. Em um dos diálogos do show, o músico afirmou que estava parado em casa e que resolveu pegar um avião para ver se fazia alguns amigos no país. Aparentemente a reunião entre um público notavelmente mais velho da geração dos 1990 e o músico havia sido boa para ambos, e talvez o até breve seja realmente verdadeiro.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.