Rodrigo Amarante – SESC Pompeia, SP

Músico faz bom show na região da Barra Funda, agradando aos sedentos fãs de Los Hermanos, mesmo sem tocar uma cover da saudosa banda

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz
Nota: 3.5

Cerca de uma hora antes de começar o fatídico show de Rodrigo Amarante, as portas da Choperia do SESC Pompeia já se abriam e os fãs mais ansiosos já se concentravam no gargarejo do baixo palco, que estabelece um contato próximo do fã com o público de maneira mais próxima – bem a ideia do ex-Hermano para sua apresentação solo.

O espaço foi ganhando público ao passar do tempo, e pouco tempo depois das marcadas 21h30, Rodrigo adentrou ao palco ovacionado pelos presentes sorridente e acenando, dando seus primeiros passos ali para seu derradeiro show de um combo de três que aconteceram no último final de semana de setembro. “Vai ver ou vai filmar?” – é como o músico começou em tom de brincadeira com a geração que não desgruda de iPads e celulares e geralmente gasta o tempo assistindo numa pequena tela ao invés de aproveitar o momento especial.

A doce Irene foi quem abriu o show, que se discorreu como se fosse um acústico especial por todo tempo, já que o trabalho Cavalo traz esse caminho mais tranquilo, romântico e desacelerado, por assim dizer. Entre gritos de “casa comigo!” e “lindo demais!”, o cantor disfarçava os momentos de constrangimento com a luz baixa que se instaurou por todo o show, promovendo uma intimidade ainda maior – “Baixei a luz, por estou assim, tão bonito”.

Os pontos altos da performance de pouco mais de uma hora certamente ficaram com as músicas mais upbeat – A balada Hourglass, a brasileiríssima e percussiva Maná e os covers de Tom Zé (Augusta, Angélica e Consolação) e finalizadora de corações, Evaporar, parte do projeto Little Joy, em que o próprio se juntou a Binki Shapiro e Fabrizio Moretti e rendeu um único disco marcante e que deixa saudades. O bom retorno de Amarante agradou o público sedento, mas ainda deixou escapar momentos de mais fervor e facilmente poderia ser adaptado a um teatro, já que o repertório segue tom mais de reflexão do que de sacolejo.

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MARCADORES: Show

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.