Tame Impala – Cine Joia, SP

A psicodelia da banda finalmente chegou ao Brasil em um show incrível, fazendo valer todo esse tempo que esperamos pra assistir esses australianos ao vivo

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Fotos: Fan Page Noize
Nota: 5.0

A hype do Tame Impala, pelo menos no Brasil, começou de fato entre o final de 2010 e começo de 2011, praticamente um ano depois de lançamento do seu primeiro álbum e desde então muita gente tem aguardado esse show em nossas terras. A espera foi grande, mas esse dia finalmente aconteceu. E agora, não temos mais aquela banda de 2010, mas uma melhor, com mais experiência e mais músicas, então a espera nem foi tão ruim assim.

Uma coisa que não saía da minha cabeça antes do show era como a banda conseguiria transportar um disco sem falhas para o palco. Innespeaker é um dos melhores álbuns de 2010 e suas onze faixas não apresentam nenhum erro, nenhum deslize, nada que o faça perder pontos. Então, passar as pirações de Kevin Parker para os palcos não seria uma missão fácil, mas o grupo fez isso impecavelmente, conseguindo uma coisa que eu achava incrivelmente difícil: amplificar as músicas do álbum.

A banda não é mais a mesma, não só pelo tempo que passou desde seu início ou experiência adquirida. Hoje, existe um integrante e um instrumento a mais, o que muda bastante e acrescenta novas texturas ao som do, agora, quinteto. A presença de um sintetizador faz as músicas crescerem ao vivo, principalmente as novas, que estarão presentes no Lonerism.

“Ontem, nós fizemos um show aqui para algum programa TV, cheio de câmeras e de gente passando em frente. O show de verdade é hoje”, disse Kevin, mostrando uma simpatia tímida que o acompanhou pelo resto da apresentação. Trocando poucas palavras com o público, o que mais se ouviam eram os agradecimentos (também rolou aquele famoso “obrigado” em português, carregado de sotaque) e “como é bom para nós estar aqui”. Mas ninguém precisava conversar, o som que mandavam em seus instrumentos ultrapassava qualquer barreiras linguísticas.

Assim como o disco, o set foi impecável. Os australianos conseguiram mesclar novidades, antiguidades e, claro, músicas do incrível Innespeaker, que eram alongadas com mais solos e uma incrível apresentação “da cozinha” – baixo e bateria se entendiam perfeitamente criando o clima perfeito para as guitarras cheias de efeito da dupla Kevin e Dominic pirarem a vontade.

A plateia comemorava cada começo de música e, muitas vezes, se ouvia um coro entoado por quem, além de assistir, também fazia parte do show. Os dois novos singles, Apocalypse Dreams e Elephant, soaram mais pesados que o restante do set e já mostram um pouco o caminho que a banda pretende seguir em seu próximo disco. Outra música muito comemorada pelo público foi uma das antigas (que está presente no primeiro EP): Half Full Glass Of Wine ganhou uma ótima versão ao vivo (a melhor da noite, em minha opinião) com nada menos que três guitarras simultâneas e ganhando solos estendidos e psicodélicos como só esses garotos sabem fazer – além de, é claro, aquela ótima bateria que abre a faixa.

A difícil missão de transportar as músicas para os palcos foi tirada de letra pelo Tame Impala. Além das músicas já conhecidas, tivemos a oportunidade de ver o que anda fazendo e como pode soar o novo trabalho. Então, de fato, a espera valeu a pena.

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ARTISTA: Tame Impala
MARCADORES: Cine Joia, Show

Autor:

Desde criançaa apaixonado por música, consumidor compulsivo de hamburguer e chato