The Radio Dept em São Paulo

Trio sueco fez sua primeira apresentação no Brasil em um clima intimista que agradou os fãs que lotavam a casa

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Fotos: Natasha Ramos
Nota: 3.5

Este foi um show no mínimo curioso – The Radio Dept, trazida pela agência de financiamento colaborativo Playbook, fez um show em que o público respondia com muito mais entusiasmo que a própria banda. Apesar da casa estar bem lotada e repleta de filas (na entrada e nos bares), a noite foi muito boa e teve um sabor diferente ao som do trio sueco. A apresentação ganhou um clima intimista e empoeirado guidado pelo par de guitarras em uma sonoridade que transitava entre o Pop e a bagunça causada pela distorção de seus instrumentos, tudo isso em uma vibe amena e hipnótica. A performance, por vezes, se tornava algo contemplativo em que não se ouvia mais nada além das notas que o grupo soltava em cima do palco.

Johan Duncanson, Martin Larrson e Daniel Tjader subiram ao palco após uma breve apresentação da banda gaúcha Lautmusik, que misturava o Post-Punk dos anos 80 com o Noise da década seguinte e, em som bem animado, já começava a trazer o público para frente do palco. A apresentação durou pouco, mas foi o suficiente para aquecer a plateia e a preparar para os suecos.

O grupo subiu ao palco e saudou timidamente a multidão que enchia a casa com um “Hey” e logo já se puseram a tocar; o diálogo continuou tímido durante a apresentação. Entre um “obrigado” (com um português bem arranhado) e outro agradecimento, o vocalista e guitarrista Duncanson disse que estava muito feliz de estar pela primeira vez no Brasil.

O set da banda transitou bastante entre o primeiro e o último disco, Lesser Metters (2003) e Clinging to a Scheme (2010), respectivamente, e ainda passeou um pouco pela lista de singles. O álbum Pet Grief, de 2006 só ganhou, uma representante na noite, The Worst Taste in Music, que já foi tocada logo no começo do set.

O clima contemplativo por vezes era quebrado por um quarto personagem da noite: o público. Ele estava lá somente para assistir, mas acabou fazendo parte do show, como um elemento surpresa que ovacionava cada começo e fim das músicas. Para mim, esta foi a maior surpresa da noite, ver uma plateia tão participativa para uma banda que não demanda tanto entusiasmo em suas canções.

A pegada intimista dominou por grande parte do show. A dobradinha The New Improved Hypocrisy e Keen On Boys abriu a noite em um clima ameno que prosseguiu até chegar a quinta canção, Freddie And The Trojan Horse, que se apresentou um pouco mais animada que as que foram tocadas até então. É claro que I Don’t Like It Like This, a canção que está na trilha de Maria Antonieta (2005), também foi tocada e muito festejada pelos fãs.

Durante Bus e 1995, o trio se tornou uma dupla, com uma guitarra e um baixo, ao contrário do que acontecia em quase toda a apresentação, em que as guitarras brincavam uma com a outra. A volta de Daniel ao palco trouxe um dos momentos mais empolgantes do show, Why Won’t You Talk About It, que foi aplaudida logo aos primeiros toques da bateria eletrônica.

O show ainda contou com mais algumas canções e o previsível bis. Lost And Found fechou a noite e creio que deixou os fãs satisfeitos com a apresentação do trio. Já quem não conhecia a banda pode ter estranhado um pouco a sonoridade e o fanatismo que tomavam conta da noite.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts