Tiago Iorc estreia turnê “Umbilical” em Curitiba

Sem nenhum ímpeto de ser um “rock star” ou um “cantor romântico”, o cantor se mostra como realmente é: Um ótimo músico que encontrou o caminho certo para seguir

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Fotos: Isabelle Bonfim
Nota: 4.5

Fazia 14º em Curitiba. Definitivamente, era impossível negar que o inverno havia começado. Cheguei por volta das 20h30 no shopping onde fica o Teatro Regina Vogue, onde Tiago Iorc faria a estreia da turnê Umbilical, ainda com alguns respingos da fina chuva que caia lá fora.

Entrei, comprei minha água e fui até a bilheteria. De cara, vi alguns adolescentes aglomerados no saguão. A maioria meninas, entre 16 e 25 anos, todas bem arrumadas, impecáveis sem qualquer embaraço causado pela chuva. Havia ainda alguns casais mais velhos, no máximo uns 35 anos, e mães acompanhando seus filhos.

Cerca de 10 minutos antes das portas se abrirem, uma fumaça saindo pelas frestas deixava um ar de mistério em quem aguardava, fato que se comprovou quando a entrada foi liberada e todo o teatro estava tomado pela névoa que escondia qualquer aspecto sobre o palco. Se essa era a intenção, acho que conseguiram.

Exatamente às 21h25, Tiago entra, acompanhado do baterista Guto Teixeira e do baixista Leomaristi dos Santos, sob aplausos ainda acanhados. Surge uma iluminação singela, minimalista, pouco saturada, revelando os instrumentos e apenas um banquinho com uma xícara em cima, que presumo ser da coleção criada pelo próprio Tiago, disponível em uma pequena lojinha no saguão. Design bacana, aliás.

O show começa com a canção homônima do álbum Umbilical, seguida por Story of a man, Just so you know, Patron e Gave me a name, todas do mesmo disco. Em um tom leve e solto, esse “bloco” revelava o quanto a necessidade de entender a importância das coisas próximas foram fundamentais no processo de composição do novo CD, da sua temática. Na minha opinião, o formato acústico foi uma boa maneira para inserir a plateia emocionalmente nesse enredo.

Agora, Tiago faz uma reprise do primeiro álbum com faixas como No one there, seguida por Scared e Nothing but a song, ambas cantadas quase inteiras pela plateia, de um jeitinho tímido, meigo, emocionante. O setlist reservava ainda espaço para a versão de Morena, música dos Los Hermanos, que entrou pra trilha do tributo ao grupo. Sereno e original, ele mostrou porque foi escolhido para interpretar essa canção.

A partir desse momento retoma as músicas de Umbilical, com Even (song to a friend), Ducks in a pond, What weighs me down e Unordinary Gold, fechando a apresentação de todas as músicas desse álbum, o que me fez perceber o intuito de elevar o show para uma investida mais vigorosa, mostrando que a sequência de músicas começaram mais introspectivas e cresceram a ponto de fechar com menos subjetividade e mais alegria. Durante alguns instantes os agudos estouraram um pouco, mas também não chegou a comprometer a apresentação.

Foram 16 canções, incluindo os super pedidos covers de Imagine e My Girl, além da incrível Spyer, música que preciso destacar, já que pra mim foi o momento máximo, de total sinceridade e que me surpreendeu pelo uso do overlayer, aquele efeito de gravação de faixas de áudio, com o microfone controlado pelos pedais, compondo um arranjo ao vivo. Eu fiquei realmente bobo com isso. Aliás, eu só tinha visto esse efeito em apresentações de músicos internacionais, como Feist e Tune Yards.

Nas exatas 1 hora e meia de show, num tom divertido, verdadeiro e crescente, Tiago preparou um apelo Folk contemporâneo, mostrando que sabe, ou pelo menos aprendeu a transpor seu talento sem barreiras. Pra sentir Umbilical, tem que entrar nessa veia e ir junto até o coração.

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ARTISTA: Tiago Iorc