Vampire Weekend – Pitchfork Music Festival 2012

Os nova-iorquinos encerram o festival com chave de ouro e mostram que estão prontos e com muita vontade de voltar à ativa

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Fotos: Monkeybuzz
Nota: 4.5

Sem qualquer produção ou figurino especial, mas com muita saudade de tocar, o Vampire Weekend subiu ao palco ao anoitecer do último dia do festival. O público, que era sem dúvida o maior dentre todos os shows do final de semana, contando inclusive com Ryan Schreiber (fundador do Pitchfork) cantando todas as músicas e dançando muito na área VIP, estava sedento por um show da banda que lançou seu último álbum, Contra, no início de 2010, e voltou há poucos dias a fazer apresentações ao vivo, sendo este o primeiro festival desde a pausa.

Os shows dos americanos são sempre uma grande festa e desta vez não poderia ser diferente. Ao mandar as dançantes Cape Cod Kwassa Kassa e A-Punk, a impressão que dava era a de que as músicas do primeiro disco, Vampire Weekend, seriam as mais cantadas, mas White Sky, Holiday e Horchata me provaram o contrário e deram certeza de que o público já absorveu, espremeu e absorveu de novo os dois ábuns da banda e mal podem esperar pelo novo material.

A noite parecia estar sendo um reencontro delicioso para todos os envolvidos e em todos os sentidos. Além de ser o primeiro festival do grupo depois de uma boa pausa, era o retorno da banda ao próprio Pitchfork Festival, onde tocaram em 2008, ainda não tão conhecidos, apenas cinco meses após lançarem o primeiro álbum. Por isso, o sentimento era de festa, com o vocalista Ezra Koenig repetindo a todo momento o quanto estava amando aquele momento e o quanto o público era incrível, os estimulando inclusive a tocarem a lenta e bela I Think Ur A Contra que, segundo ele, não costuma entrar nos setlists que montam para festivais.

Se estava difícil escolher um ponto alto apenas prestando atenção na recepção do público, que cantou do começo ao fim sem economizar energias, digo que o destaque tecnicamente foi com Oxford Comma que começou de surpresa, emendada em uma outra canção e teve direito a um solo de guitarra perfeitamente executado por Ezra. One (Blake’s Got a New Face) foi a primeira de três músicas que vieram no bis e também deu um tempero especial à noite, pegando alguns fãs de surpresa que já deixavam o local.

Pelos motivos já citados acima, este show pareceu algo meio isolado dos planos da banda de voltar à ativa, mas deixou bem claro que esta é a vontade deles. O que dá para prever é que, como sempre, este será um disco bem dançante, já que eles repetiam a todo momento que o que eles gostam e querem cada vez mais é fazer o público suar. Outra declaração da banda dá pistas de que o novo trabalho ainda não está 100% finalizado, já que disseram que depois deste show eles estão mais ansiosos de chegar em casa e começar a trabalhar no novo disco.

Do ponto de vista do evento, além de ter sido o show mais lotado, foi um dos maiores públicos femininos do festival, que foram especialmente para ver a banda, dançarem, cantarem e se descabelarem pelos garotos de Nova York. A histeria de alguns e a quantidade de pessoas que foram especialmente para vê-los levantou dois questionamentos sobre o lineup: Será que o Vampire Weekend já está grande demais para o Pitchfork Festival – com tradição de trazer novidades – em que fica difícil saber quem é o headliner de cada noite? Ou será que o próprio festival cresceu a um ponto que começará a trazer atrações reveladas por eles, mas que já atingiram o grande público, como Arcade Fire ou Bon Iver?

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.