Woodkid – Audio Club, São Paulo, SP

Em uma performance chamativa, músico mostra que seu show vai além da percepção auditiva, explorando todos seus sentidos

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz
Nota: 4.0

“Surpreendente” é um termo que pode resumir muito bem a apresentação que Woodkid fez no último sábado em São Paulo. Mesmo antes do espetáculo começar, as surpresas já se iniciavam. Ao entrar pela passagem que levava à pista onde seria realizado o evento, não se notava a presença de muitas pessoas (levando a crer que não haveria tantos fãs assim e que estaria relativamente vazio o local). Porém, ao entrar na área principal (que nem se compara em tamanho ao ambiente do Audio Club em que se realizou o show de Jagwar Ma, alguns dias antes), fomos surpreendidos com a quantidade de pessoas amontoadas e ansiosas para a primeira apresentação do músico em terras brasileiras.

A posição em que os instrumentos estavam dispostos (mesmo antes de Woodkid subir ao palco) já revelava que não se trataria de um show comum. Duas estruturas que serviam de suporte para a percussão simetricamente colocadas de modo a espelhar a seção de músicos que tocavam trombone, trompete e tuba com os que tocariam sintetizadores e teclados do lado oposto. Toda esta previsão se concretizou com a dramática entrada do grupo, em uma faixa de introdução que arrancou gritos dos pulmões da plateia e quase esgoelou o público quando Woodkid entrou, da mesma forma intensa.

Alguns problemas de distribuição de som entre o grupo de metais e o vocal foram notados durante a performance, mas, pelo fato da proposta de Woodkid não evocar apenas o sonoro, mas também uma mistura audiovisual forte, estes problemas foram relevados. A iluminação de palco estava extremamente condizente e sincronizada com as músicas do cantor (lentas ou mais animadas). Fora isso, as projeções de vídeos intensificavam as propostas do músico, dando ritmo e emoção e transmitindo isso de forma direta.

A presença de palco de Woodkid também vale ser comentada. Mesmo durante suas músicas menos agitadas, sua forte performance chegou a emocionar alguns presentes que, se não chorassem, eram envoltos de um arrepio sublime. Já nas faixas mais dançantes, o músico tinha confiança o suficiente para berrar sem o microfone, pedindo que todos gritassem mais alto e levando a plateia ao delírio. A maioria das músicas eram tocadas isoladamente, ou seja, havia pouca ou nenhuma intenção de juntar as faixas, o que pode ter sido um fator a se pensar um pouco melhor, já que o trabalho de Woodkid é tão voltado para a experiência ao vivo.

Em resumo, saímos satisfeitos e impressionados pela qualidade do show do músico. Uma boa referência para bandas que pensam na música como uma proposta sinestésica, em que cada sentido deve ser aguçado afim de que a experiência total de compreensão de sua obra seja alcançada. Em um possível volta do músico, fica mais do que recomendado a performance.

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ARTISTA: Woodkid
MARCADORES: Audio Club, Show

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.