De Hipster e Louco, Todos Temos um Pouco

Segundo o estereótipo criado nos últimos anos, todos nós somos um pouquinho do que geralmente é tido como hispter

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Fotos: Lana Del Rey

Eu tenho certeza que você sabe a definição exata de hipster, “hipster moderno”, bem como a história dessa contracultura que já existe desde os anos 50. Então, pularemos essa parte didática e tentaremos analisar como o termo, com sua recente popularização, acabou se tornando algo pejorativo, estereotipado e que vem sendo usado de forma indiscriminada por aí.

Esse tipo de comportamento, o “confronto” entre sociedade e contracultura – no nosso caso, os hipsters -, como você bem deve saber, não é um fenômeno nada recente. O problema da aceitação dos hipsters é o mesmo que os punks, hippies ou quaisquer outros movimentos marginais enfrentaram em suas respectivas épocas: contraculturas incomodam.

Remar contra a maré (quase) nunca é bem visto por quem a segue e vem daí a grande parte da birra com qualquer uma das “subculturas” vistas até hoje. Mas, se analisarmos, a própria ideia de contracultura apresenta um problema: sua maior pretensão – desfiar a cultura vigente e criar uma alternativa que seja realmente convidativa às outras pessoas – na verdade, não ocorre exatamente como o esperado e no fim das contas, o que se cria a partir disso é um grupo marginal à sociedade simplesmente por pensar de forma diferente. Porém isso não quer dizer que elas não tenham ideias válidas e pensamentos coerentes.

O que não é um fenômeno novo também é que ainda que tidos como transgressores ou marginais, existe certo processo antropofágico (culturalmente falando) em todas essas “subculturas” e parte de seus conceitos e ideias acabam construindo a identidade de uma nova geração (às vezes absorvidas de forma inconsciente).

Os hipsters modernos me parecem tentar acelerar esse processo e fazem isso com mais de uma contracultura ao mesmo tempo. Criando uma grande salada cultural, que mistura a moda de determinado gênero, música de outro, literatura de outro completamente diferente, todos simultaneamente (e quem é que não faz isso hoje em dia?). Uma boa definição que ouvi há algum tempo é: “Os hipster são a versão cultural do Girl Talk”.

Creio que você saberia apontar sem grandes problemas os elementos que “fazem” uma pessoa ser um hipster. Certo tipo de vestimenta, ouvir música que foge do senso comum e uma série comportamentos são sempre os mais citados para estereotipar alguém. Mas, se pararmos para pensar o quão rasas essas definições realmente são e como elas se aplicam a tantas pessoas ao mesmo tempo (incluindo a mim, você e sua mãe), de certa forma, todos nós somos um pouquinho hipsters. Todos temos comportamentos que nem sempre se encaixam no que é aceito como “normal”, ou que pelo menos outra pessoa goste, aceite ou entenda (então de certa forma todos nós somos hipsters para outras pessoas, simplesmente pelos nossos gostos serem diferentes dos dela).

Quanto ao pluralismo cultural atribuído aos hipsters, eu creio que você faz exatamente o mesmo. Certamente, você ouve mais de um estilo de música, assiste a mais de um gênero de filmes e por aí vai – o que reforçaria ainda mais seus “hipsterismos”. Isso quer dizer alguma coisa? Na verdade, só mostra que você busca fontes culturais diferentes das do mainstream e, sobretudo, que estereótipos são tão generalistas, que na verdade qualquer pode se encaixar em um deles.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts