Eles mudaram. E você, não?

Se de “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” até agora Arctic Monkeys mudou bastante, saiba que você também

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Não, este não á mais um artigo sobre Arctic Monkeys ou de como a banda mudou através do tempo. Este é um texto sobre como você mudou com o passar dos anos. É lógico que a primeira afirmação é verdadeira e é inegável que os quatro garotos franzinos de Sheffield se tornaram algo completamente diferente do que já foram antes de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not. Mas a segunda também é. Pense em como era sua vida em 2006. Onde você estava? O que fazia? Quais eram seus planos? O que ouvia?

Agora, responda estas mesmas perguntas pensando no presente. Certamente, você mudou neste período. Não importa se pouco ou muito, você já não é mais o mesmo que era naquela época. O acúmulo de novas experiências moldou seu gosto em formas diferentes, ele evoluiu assim como a música de algum artista que você acompanha há algum tempo. A verdade é que, se a música de uma banda mudou entre um lançamento e outro, você também mudou neste período.

Como pessoas capazes de vivenciar tantas coisas e acumular tantas experiências e conhecimentos, com o tempo nós podemos agregar elementos novos ao nosso gosto ou até mesmo mudá-lo completamente de uma hora para a outra. Nossos gostos não são e nunca foram estacionários, por mais possam sofrer de certa inércia às vezes – e isso explica o longo tempo que ficamos sem descobrir nada novo que nos agrade ou ainda a constante busca por coisas novas.

Pensando só em música, imagine o tanto de discos que você ouve em, digamos, um ano. Não estou falando aqui somente dos lançamentos, estou contando discos clássicos, aqueles que ouve o tempo todo, suas descobertas tardias, as coisas que você amou ou que odiou, todos contam. Até mesmo as músicas que você ouviu no rádio, na balada ou onde quer que seja. São tantas experiências diferentes acumuladas e absorvidas ao longo de apenas 365 dias que elas certamente modificaram, nem que seja um pouco, seu gosto musical. Somando essas pequenas mudanças ao longo de anos, dá para notar que seu gosto evoluiu bastante.

Tentando não isolar somente suas experiências musicais, mas confrontando elas diretamente com a sua vivência e com seu dia-a-dia, as coisas ganham um potencial ainda maior. Você certamente já teve discos ou músicas que pareciam perfeitos para uma determinada fase de sua vida, seja o começo de um relacionamento ou término dele, alguma obra que seja capaz de deixar feliz ou ainda algo que te faça lembrar alguém, e eles ficaram guardados em sua mente como uma memorabilia daquele exato ponto no espaço-tempo. Algo único, algo que é somente seu. Ainda que fossem tão adequados para aquele momento, com o tempo, um disco como estes pode ganhar outro sentido, deixar de ser importante ou até mesmo tornar-se algo que talvez te traga vergonha. Algo que certamente já aconteceu com você, não é?

Isso pode acontecer também com discos ou artistas que você não gostava e passa a ouvir depois de determinada situação (seja um show, indicação de alguém ou qualquer outro motivo) é mais um exemplo de como o tempo invariavelmente mudará seu gosto (e isso certamente não se aplica somente a sua relação com a música).

Dito isso, podemos voltar aos músicos que sofreram esse mesmo processo de acúmulo de novas experiências que você sofreu e resolveram diversificar sua sonoridade. A verdade é que artista, público e mesmo o próprio tempo são outros entre dois ou mais lançamentos. E outra coisa importante de se ter na cabeça é que uma mente criativa sente a necessidade do novo e como tal, não vai ficar recriando inúmeras vezes o que já fez – é claro que nem sempre essas mudanças são para melhor ou vão agradar a totalidade do público, mas na maior parte das vezes é sim muito bem vinda.

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MARCADORES: Discussão

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts