Moderat: O Híbrido Alemão

Trio cada vez mais demonstra sucesso em misturar típico intimismo de Apparat com a preocupação Techno do Modeselektor

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Muita coisa começa na brincadeira. Uma festa entre amigos que vira um festival. Uma música no Myspace ou Soundcloud que decola a carreira de alguém. Uma brincadeira descompromissada com mistura de influências que vira uma banda. Assim nasceu Moderat – com nome por motivos óbvios já que é a junção dos dois integrantes do Modeselektor (Sebastian Szary e Gernot Bronsert) e Apparat (ou Sascha Ring, no registro). O trio alemão hoje constroi uma legião de fãs de Techno e cultura Bass pelo mundo todo, principalmente por mesclar alta qualidade técnica de estúdio com, segundo Resident Advisor em 2009, a melhor apresentação ao vivo do ano.

Lá em 2009, quando Szary e Gernot lançaram o primeiro álbum do Moderat com Sascha, a produção consistia basicamente em encaixar o caráter introspectivo do Apparat com batidas, então enquanto um entrava com a estrutura, a melodia vinha para complementar. E nessa brincadeira veio o álbum de estreia que leva o nome do grupo como título. Foram quinze faixas que vieram como uma recompensa depois de um trabalho (o primeiro trabalho, um EP) juntos que não deixou orgulho em 2002. Três anos atrás, ao que tudo indica, as conversas fluiram e saiu uma boa mistura da estrutura melódica e intimista de Apparat com a energia e marcação do Modeselektor. Estamos testando uma fórmula quase que misântropa com uma que vê como obrigação movimentar festivais. Qual a reação disso?

Trabalhar com Radiohead 10 anos atrás talvez trouxe uma preocupação conceitual do Modeselektor em suas produções. O tempo trouxe amadurecimento e também várias colaborações. Moderat veio como um liquidificador que hibridiza um gênero, que traz algo fluido para se escutar, que chama atenção, seja com a necessidade de sair da atmosfera etéria de sensações para uma esquisitice de vocais com Paul St. Hilaire.

II surpreendeu e muito. Arrisco dizer que está entre os melhores álbuns de 2013. Não só por qualidade de produção, mas pelos três produtores terem suado para sair do híbrido para criarem algo inédito. O trio é conhecido por perfeccionismo e não medem palavras para falar o quanto é difícil a produção a três. Conflito de opiniões, influências, não é pra menos, temos três produtores que são músicos de mão cheia. Sem restrições quanto a liberdade criativa, cada um cria drop, escolhe a bateria, dá opinião no baixo, aí nascem as guerras. Mas, em contra-partida, enquanto temos dois produtores com foco em estúdio (Szary e Sascha), Gernot vem para botar o pé da dupla no chão e lembrar a viabilidade de se apresentar ao vivo as produções. Chegamos na questão “X”. Projetos tão distantes em referências se juntam na preocupação de criar um som único e apresentá-lo, como poucos fazem.

A capa do álbum recém lançado traz uma máscara sendo removida, como se em 2013 realmente o Moderat fosse mostrar a que veio, sua verdadeira cara. São 53 minutos com Trip Hop, Techno, Dubstep, Experimental, uma pitada de Kanye West e sua vanguardista compilação de sintetizadores. Vocal Soul, vocal modificado típico do Deep House, doses homeopáticas de Pop vindo daqui e dali, tudo com muito bom gosto e cuidado para não exceder. O trio funciona a partir da conversa entre os timbres e seus criadores, da improvisação, da mistura, da energia, do diálogo entre o que se está apto e apaixonado em ouvir e produzir hoje. Sairam do nível experimental (muito bem feito, inclusive), para escreverem música, e então chega o desafio de trazer o Pop para produções complexas. Sem dúvidas, Moderat forma um dos projetos mais interessantes do momento. Chega a soar estúpido vindo da junção de nomes que ajudam a cena eletrônica, não só alemã como mundial, a se formar. Mas o trio cada vez que bate o martelo para criação de algo, gera uma expectativa e nasce uma surpresa. Uma boa surpresa.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King