O Caribou de Dan Snaith

O multifacetado músico revela seu potencial neste e em qualquer de seus projetos, como Manitoba e Daphni

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Por trás do monumento eletrônico que o Caribou se tornou hoje em dia, está a mente pensante, matemática, e brilhante de Dan Snaith. Matemático formado pela Imperial College of London, este canadense nascido em 1978, deu vazão às suas ideias e as colocou em sua música, para nossa felicidade e, por que não dizer, para a felicidade da música Eletrônica e de seus fãs.

Em apenas uma década (a passada), Dan colocou-se como uma das mais importantes cabeças influentes deste segmento. “Este segmento” é muito mais do que o Eletrônico. Com sua engenhosidade multi-instrumentista, Dan chegou a gêneros não muito comuns ou populares, até não muito difundidos, nos quais Caribou é referência, como Folktronica. Outro estilo não muito disputado atualmente é o Shoegaze, surgido no final do anos 80 na Inglaterra, que foi de grande influência para ele em suas performances ao vivo e também musicalmente, por se tratarem de músicos que não tinham muito contato com o público e se concentravam em seu universo em cima do palco, fazendo com que o foco fosse, acima de tudo, a música. Porém, ao vivo, Caribou deixa de ser apenas uma cabeça pensante e conta com a participação de outros músicos.

Voltando um pouco no tempo, esse não foi o primeiro projeto de Dan. Por volta dos anos 2000, o matemático lançou seu primeiro álbum, intitulado Start Breaking My Heart com o projeto Manitoba. Com esse nome, também foi lançado o segundo álbum da carreira de Dan, intitulado Up in Flames (2003). No entanto, em 2004, ele foi forçado pela justiça a mudar o nome de seu projeto, devido a um processo movido pelo *frontman( da banda The Dictators, Richard Manitoba, e foi assim que surgiu o Caribou. Esses dois primeiros lançamentos foram relançados em 2006 por outra gravadora, já com o novo nome na capa.

Em 2005, saiu o primeiro álbum genuíno do Caribou, The Milk of Human Kindness, que conta com o que há de melhor no universo da banda: os riffs grudentos, vocais doces harmonizados com sintetizadores e batidas eletrônicas precisamente calculadas pela matemática de Dan. Um fato a ser notado é que cada faixa cria seu próprio universo, fazendo com que o ouvinte viaje com cada elemento que delicadamente entra e sai da música, entretendo e instigando, pois são tantas camadas sonoras que é possível descobrir um novo elemento a cada play. Este fato é evoluído a cada disco do Caribou, o que o torna esta figura enigmática e importante da música alternativa.

Em 2007, foi lançado Andorra, premiadíssimo álbum que surpreendeu fãs e críticos. Com um destaque maior da banda que acompanha as batidas e os elementos eletrônicos, o disco é composto de músicas com inúmeras camadas de sintetizadores e um dos importantes hits da carreira de Dan, Melody Day, que abre o álbum.

A idéia do próximo disco, Swim (2010), surgiu com o fato de Dan não saber nadar, nem ao menos boiar, até sua esposa presenteá-lo emum natal com aulas de natação. Desde então, Dan apenas deixa sua residência durante o dia para nadar, tomar um ar em meio ao seu processo criativo de pensar música, ou à noite para boates e festas. Ele se tornou obcecado pela natação e seu contato diário com a água lhe rendeu idéias incríveis e transformadas, é claro, em camadas de sintetizadores e loops de voz nas músicas deste disco, assim trazendo elementos orgânicos à música Eletrônica, que é normalmente composta com elementos “duros”, limpos e metálicos.

Sendo assim, as camadas musicais flutuam nos ouvidos de um lado para o outro, de cima para baixo, e os diferentes instrumentos e elementos são, mais do que nunca, harmonizados em incríveis ritmos e texturas, de uma maneira que só um músico matemático nadador conseguiria.

Em 2011, a faixa Odessa que abre o álbum, ganhou grande destaque sendo incorporada à playlist do famoso jogo Fifa Soccer 2011, levando o Caribou de vez ao mainstream. Com isso a banda realizou uma turnê mundial com o Radiohead, caindo de vez nas graças do público.

Neste mês de outubro, Dan deu as caras novamente com outro lançamento, porém, para a surpresa de todos, sob o nome de Daphni, e não mais Caribou, no disco chamado Jiaolong. Dentre tudo isso, o Caribou participou em 2011 da curadoria do importante festival All Tomorrow’s Paties, junto a Battles e Les Savy Fav. Além disso, no meio tempo entre os álbuns, foram lançados dezenas de singles, compactos, remixes e até um DVD.

Seja como Caribou, Daphni, Manitoba, ou qualquer que seja o nome a sua frente, Dan Snaith mostra sua mente capaz de arranjos e harmonias incríveis, que nos levam a universos que só nós como ouvintes podemos chegar, cada um com a sua profundidade. Seja você fã de música Eletrônica, Folk, Indie, Pop, 80’s, 90’s ou 00’s, seu universo estará ali – em alguma camada sintetizada, numa batida eletrônica, num riff de guitarra ou na voz confortante de Dan.

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ARTISTA: Caribou, Daphni
MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Vegetariano, rabugento, ouvindo e fazendo música