Paramida: a mais surpreendente de Berlim

Há mais de 10 anos agitando a cena da capital alemã com uma pesquisa livre, diversa e imprevisível, a residente do Panorama Bar compartilhou sua história e falou sobre os desafios de criar seu próprio selo, o Love On The Rocks

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Fotos: Lucas Christiansen

Em sua biografia no Resident Advisor, Paramida se auto intitula como “a mais odiada de Berlim”. Apesar dessa afirmação estar muito longe de fazer sentido ao pé da letra, a residente do Panorama Bar gera grande impacto na efervescente cena da capital alemã por defender uma abordagem musical diferente do – “estereotipado” – Techno berlinense. Sua pesquisa é diversa, rica e expande as possibilidades do gênero ao caminhar por variações e diferentes estilos, como o Dream House, New Beat, Trance e alguns elementos de Ambient, por exemplo.

Além de ter um programa mensal na Rinse FM no qual transmite suas descobertas, a DJ nos inspira pela força e determinação de fundar o próprio selo em 2014, o Love On The Rocks. Seu catálogo por lá é caracterizado também pela improvável e desimpedida conexão entre artistas de diferentes linguagens musicais.

Na linha de frente da noite de Berlim, Paramida é apaixonada por música e suas conexões – das óbvias às mais ousadas – e acredita no poder de unir pessoas em uma celebração por meio de suas performances.

Aqui, ela compartilha sua história, seus grandes desafios ao criar um selo e conta como a quarentena a afetou.

Me conta um pouco sobre sua história. Como foi sua jornada musical até hoje?

 Sempre amei música e coleciono discos. Comecei trabalhando em uma loja de discos e sou DJ há 11 anos. Hoje tenho minha própria gravadora e um programa de rádio na Rinse FM, em Londres. Então, tudo que é importante na minha vida é basicamente sobre música e eu adoro isso. É a melhor coisa que posso imaginar. Se eu fosse médica, teria que lidar com gente doente o tempo todo. Se eu fosse advogada, teria que lidar com pessoas que lutam o tempo todo. Mas a música – especialmente o DJing – une as pessoas em uma celebração.

Como começou sua relação com a música?

 Tudo começou bem cedo, para dizer a verdade – aos sete anos, quando ganhei meu primeiro CD player. Comecei a colecionar CDs e tudo se desenvolveu desde muito cedo (aos nove anos!). Me interessei por Indie Rock e Punk. Meu primeiro CD de música eletrônica foi de Laurent Garnier, o The Man With The Red Face. Comprei em 2000 e tinha 11 anos. Eu estava em Toronto na época e comprei em uma loja de CDs. Antes de começar a comprar vinis, tinha o hábito de ir e descobrir lojas de CDs em todas as cidades. Mais tarde, quando descobri a vida noturna, mergulhei mais na música eletrônica e comprei meus primeiros discos de vinil com 17 e comecei a discotecar com 19/20 anos.

Atualmente, o que mais lhe inspira?

 Natureza e silêncio.

Você fundou o selo Love On The Rocks. Quais foram os maiores desafios?

Cortar homens brancos e de meia-idade que tentam me dizer como administrar minha própria gravadora.

Um conselho para quem quer abrir uma label…

Não dê ouvidos a ninguém.

Quem seria o seu b2b dos sonhos?

Eu odeio tocar em b2b.

Como a quarentena e a pandemia afetaram você, seu trabalho e o relacionamento que você tem com as pessoas?

Pela primeira vez, tive tempo para me concentrar em coisas para as quais não tinha tempo antes, então isso foi um presente. Mesmo que a situação tenha causado um grande estrago em todos, eu sou fã de olhar para o copo meio cheio em vez de meio vazio. É bom se concentrar no que você tem e ser grato por isso.

O que o mundo pode aprender com o que enfrentamos agora?

Todos deveriam dar uma olhada para si mesmos e encarar essa merda. Amém.

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ARTISTA: Paramida
MARCADORES: Entrevista