Ouça: And So I Watch You From Afar

Se o que te vem a memória quando falamos da Irlanda são Pubs, cerveja e U2, está na hora de você conhecer este trio que cria um impressionante misto entre Post-Rock e Math Rock

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O grupo And So I Watch You From Afar não é exatamente uma novidade com dois discos e dois EPs lançados ao longo de pouco mais de cinco anos. O (agora) trio é uma espécie de ilustre veterano que conquistou seu meio (dentro do Post-Rock) e agora começa a sair deste nicho para conseguir uma visibilidade ainda maior entre um novo público. Ao longo deste tempo esses irlandeses foram construindo de forma brilhante sua carreira por meio de seus sempre potentes discos e por apresentações que deixam qualquer um de queixo caído (e, de fato, muito da reputação do grupo vem de seus shows realmente incríveis).

As viagens sonoras criadas pelo grupo se baseiam no Post-Rock instrumental (de bandas como Mogwai, Explosions In The Sky e Tortoise), mas, além disso, o trio traz ao já complexo estilo ainda mais profundidade ao adicionar tendências do Math Rock – mas, não se preocupe, ainda assim é um som altamente acessível. Pode parecer algo intangível essa sonoridade híbrida de dois estilos sonoramente complicados soarem fáceis aos ouvidos, mas logo perceberá que essa combinação cria paisagens sonoras belíssimas capazes de emocionar profundamente sem dizer nenhuma palavra sequer.

Com ótimas construções melódicas (e até mesmo um pouco do peso das guitarras vistas em muitas faixas), herdadas do Post-Rock e as diversas quebras de ritmo e riffs angulares vindos do Math Rock, o grupo constrói uma mistura potente que se espalha por varias direções, às vezes beirando a esquizofrenia sonora. Essa abrangência tão grande gera um verdadeiro turbilhão de emoções que é transportado com maestria para seus shows.

Os primeiros anos de banda datam do longínquo 2005, quando o quarteto, formado por Rory Friers, Johnny Adger, Chris Wee e Tony Wright (que deixaria a banda em 2011), se juntou em Belfast para talhar o som que o faria em 2007, impulsionado pelo sucesso do lançamento de seus dois EPs This Is Our Machine And Nothing Can Stop It e Tonight The City Burns, participar de alguns festivais locais, além dos inúmeros shows em casas menores de sua terra-natal.

Seriam necessários ainda mais dois anos até que o primeiro disco do quarteto estivesse totalmente finalizado. Autointitulado, ele mostraria a ferocidade e potência das duas guitarras trabalhando em conjunto – cada uma parecendo trazer um dos estilos nos quais o grupo se espelha -, em composições que aliavam um grande peso ao senso melódico incrível destes irlandeses. Este álbum os levou para uma intensa turnê que passou pela America do Norte e Europa e chamou a atenção de Dave Grohl, que então estava viajando com seu projeto paralelo Them Crooked Vultures e os chamou para abrir alguns shows desta turnê.

2011 marcou a banda por dois acontecimentos. Em abril daquele ano, o grupo lançaria seu segundo disco, Gangs, e um de seus membros seguiria em carreira solo em setembro, abandonando o trio restante. O álbum mais uma vez concretizaria o potencial da banda em amalgamar estilos, criando uma mistura ainda mais potente que em sua estreia. Composto por apenas oito músicas, a obra se mostra mais livre e explora outros tantos subgêneros em sua incursão pela música contemporânea – pode parece estranho, mas você vai encontrar de Punk à Samba nas entranhas de Gangs.

Para este ano, em 15 de março especificamente, o grupo prepara o lançamento de seu terceiro disco. Com um membro e uma guitarra a menos o trio parece ter mudado ligeiramente o rumo de suas composições, as deixando mais simples e de certa forma mais eufóricas, porém sem perder a potência de antes. Like a Mouse, o primeiro single All Hail Bright Futures, traça esse novo caminho “ensolarado” que a banda pretende seguir e mostra também seu potencial em criar faixas incrivelmente pegajosas. Vale a pena também torcer para que a turnê deste novo trabalho passe pelo nosso país; seria ótimo vê-los ao vivo.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts