16° Cultura Inglesa Festival

O domingo marcado por muita música boa contou com os shows internacionais de Franz Ferdinand, We Have Band e The Horrors

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Fotos: Flávio Moraes/G1
Nota: 4.0

Uma ótima tarde de domingo com sol brilhando: o tempo perfeito para um festival no parque. Foi nesse clima que ocorreu o Cultura Inglesa Festival que, além dos ótimos shows deu um exemplo de organização dentro do evento – apesar do que a polícia causou do lado de fora. Foi bom para quem queria ficar em frente ao palco pulando e gritando com as atrações e também para quem queria fugir da agitação e assistir aos shows sentado na grama.

As filas já eram esperadas, afinal, uma banda como o Franz Ferdinand lotaria facilmente um evento pago, quanto mais em um festival gratuito. O que também contribui para um longo tempo de espera para entrar no Parque da Independência foi as revistas realizadas pelos policiais, o que é totalmente aceitável para que não ocorra nada pra prejudicar a festa de 20 mil pessoas que lotariam o parque. Lá dentro, tudo ocorreu bem – bons shows, água de graça, nenhum tumulto e uma ótima visão de onde quer que você estivesse.

Antes das atrações mais esperadas, a Banda UÓ fez um inusitado show em que fez versões cover desfiguradas da The Smiths. Muita gente reclamou da ideia, mas, no fim, foi divertido. Para ninguém botar defeito, a paulistana Garotas Suecas tocou músicas dos Rolling Stones e botou todo mundo para agitar e cantar os sucessos de um dos grandes nomes do Rock inglês.

O sol ainda estava forte quando o quarteto de Manchester We Have Band subiu ao palco. Não sei se por conta do calor, ou por ser um grupo não muito conhecido pelo público brasileiro, o show começou bem morno e sem graça, mas a apresentação foi ganhando força aos poucos e os mais animadinhos arriscavam alguns passos de dança. Com seus poderosos sintetizadores e bateria pulsante, Visionary foi um dos destaques da apresentação, e Where Are Your People foi outra que conseguiu botar alguns pra dançar. Apresentando as músicas do seu primeiro disco, Ternion, a banda mostrou que sua performance deve funcionar melhor em casas de show menores.

Com um som descrito pelo host do evento – e ex-VJ – Edgard Piccoli como “gótico”, a The Horrors fez um show que agradou os fãs que festejaram sua entrada, mas botou um ponto de interrogação na cabeça de quem não conhecia a banda – e esses eram a maioria. De todos, foi o único show que sofreu com alguns problemas no som, pois em algumas músicas não se ouvia a voz de Faris Badwan e os graves explodiam em outras. O grupo tocou muitas canções do seu novo disco, Skying, e vale a pena destacar Changing the Rain, Still Life e I Can See Through You que marcaram a boa apresentação da banda, mais uma que funcionaria melhor em alguma casa de show menor.

O sol já havia se posto quando uma confusão começou: quem ainda não havia entrado se amontoava nos portões tentando forçar a passagem, um pouco antes do show da atração principal, e alguns fãs mais desesperados tentaram escalar as grades. Como medida pra dispersar essas pessoas, a polícia usou a força em um episódio lamentável para fechar o festival. Através do Twitter, Alex Kapranos, vocalista da Franz Ferdinand, pediu desculpas aos fãs brasileiros e lamentou o ocorrido.

Voltando ao lado de dentro do parque, todos que esperavam ver um grande show tiveram suas expectativas atendidas. Toda a confusão ficou do lado de fora e, com pouco mais de quinze minutos de atraso, a Franz Ferdinand subiu ao palco e fez uma apresentação enérgica e recheada de hits, em um set misturando faixas de todos os seus discos e ainda três das quatro faixas inéditas que havia apresentado em um show – Brief Encounters, Fresh Strawberries e Trees & Animals, as únicas que o público não sabia cantar.

Podem dizer que os escoceses estão fora de forma ou que esse não foi o melhor show deles em território brasileiro, mas minha impressão é a de que a grande maioria que estava lá se contagiou de alguma forma com a apresentação, que trazia um hit atrás do outro – Take Me Out, Darts of Pleasure, Ulysses e No You Girls eram cantadas por todo mundo (pelo menos nos refrãos). A banda repetiu a homenagem a Donna Summer cantando I Feel Love no meio de Can’t Stop Feeling e o bis foi um momento raro onde se vê todos a sua volta numa espécie de frenesi causado por uma música. A culpada foi This Fire, que ganhou uma versão bem estendida com direito a um coro de quase 20 mil pessoas.

Com uma ótima organização, o festival fechou a noite trazendo uma banda que o público brasileiro não via há muito tempo. Uma pena saber de tudo o que aconteceu do lado fora, já que de dentro não se via nem sinal do que ocorria, e o problema das filas não conta, pois já era de esperar que isso acontecesse. Enfim, não foi um domingo qualquer, e que venham mais bons shows no ano que vem.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts