E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante + All People – Garage Studio, São Paulo

Shows esquentaram uma fria noite paulistana com muito Post-Rock e Punk/Dub

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Fotos: Fotos por Marcos Bacon
Nota: 4.0

Nada melhor do que esquentar uma fria noite paulistana vendo alguns shows. As apresentações aconteceram no Garage Studio, localizado na Pompeia e que aconchegou um público pequeno, porém fervilhante. Com um clima bem amistoso, plateia e banda se confundiam – até por não haver um “palco” ou alguma coisa que separasse os artistas de quem estava lá para assisti-los. Dos três grupos que se apresentariam, consegui acompanhar somente os dois primeiros, mas posso dizer que valeu muito a pena.

Ao longo de alguns anos assistindo shows de bandas de Post-Rock, desenvolvi a seguinte teoria: ao vivo, os artistas do estilo são muito melhores do que nos registros de estúdio. Vendo apresentações de gente como Explosions In The Sky e Mogwai, minha teoria só ganhou mais argumentos. Ontem, vendo E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante pela primeira vez, pude comprová-la 100% verdadeira.

Tocando por pouco mais 40 minutos e compondo seu set com faixas mais antigas (Nem tanto, Nem tão pouco e Essa Deveria Ter Seu Nome Mas Hoje Você Não Está Aqui) e com músicas presentes em seu primeiro e autointitulado EP (PMR e Velhas Canções Nunca Morrem), o quarteto paulistano soube conduzir um show hipnótico e impecável no qual mostrava a força de suas composições, que se comunicavam com a plateia sem precisar proferir uma palavra sequer – algo, que, emocionado, o guitarrista Lucas Theodoro tentou dizer no meio do show.

Sobre ao vivo ser muito melhor que o disco, isso fica evidente logo de cara. Com um volume maior saindo das caixas – ao ponto de um zunido persistente te acompanhar até a chegada em casa -, sentir a vibração da bateria, a pulsação do baixo e ouvir aquele duo de guitarras gritando na sua frente é algo não se consegue presenciar todos os dias. A troca de energia entre músicos e plateia e o clima aconchegante criado em um ambiente pequeno é também algo único, algo que não consegue se experimentar ao ouvir o som da banda em seus fones ou caixa de som.

Alternando entre momentos mais calmos e outros mais intensos dentro de uma só faixa, os músicos também acompanhavam esse flutuar de emoções, chegando a se jogar e pular (ou mesmo dançar deitado no chão, como fez o baixista Marcelo Rachmuth em uma das músicas) em momentos mais explosivos. Em um momento interessante do show, o quarteto usou o trecho de um monologo da faixa Untitled, presente no disco da banda que se apresentaria a seguir.

No geral, o show foi impecável, sendo seu maior “problema” ser curto demais.

A segunda banda da noite segue o mesmo princípio do que aconteceu com E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, seus shows são também muito melhores que o disco. O quarteto norte-americano All People trazia uma energia (quase incontível) à sua apresentação, que contou com um pequeno “bate cabeça” (organizado por uma garota), uma tentativa de mosh e recorrentes invasões dos músicos no meio da plateia. Com um misto entre Punk e Dub, os quatro músicos tinham uma mistura explosiva que botou muita gente para se agitar e espantar de vez o frio.

Com um set baseado principalmente em seu mais recente álbum, Communicate, a banda conseguiu empolgar o público que lotava a salinha. Os destaques da apresentação vão para Sometimes (e seu clima de Hardcore/Punk Californiano), Fleeting e Industry – além de outras ainda sem nome e que estarão no próximo álbum do grupo -, faixas mais agitadas e que embalaram danças convulsivas por parte dos membros da banda e dos mais animados na plateia que não paravam de pular. Para comprovar o ritmo Dub/Ska do show, em uma das músicas o tecladista e vocalista Daniel Ray sacou seu trompete e começou a tocar.

Se a “colaboração” de All People veio no show de EATNMPTD veio em forma de sample, o inverso aconteceu com o Lucas dividindo o microfone aos berros com o baixista Greg Rodrigue. O que aconteceu algumas vezes durante toda a apresentação.

Se assim como eu, você ainda não tinha ouvido falar dessa banda, saiba que vale a pena ficar ligado em seus próximos passos. Durante a turnê o grupo está testando algumas faixas novas e gravando demos que possivelmente irão compor seu próximo álbum – se quiser, pode ouvi-las aqui.

Infelizmente não pude ficar até o fim e perdi o show do Lisabi, banda da qual resenhamos o ótimo EP Acts, no ano passado.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts