Samira Winter + Gigi Suleiman – Beco 203, SP

Curitibana faz show apaixonante em São Paulo

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Fotos: Foto por Fábio Junior/Saycheese
Nota: 3.5

A última noite de quinta-feira me trouxe a sensação de conhecer duas bandas completamente novas ao vivo. O palco do Beco 203, localizado na Rua Augusta, grande centro da música alternativa em São Paulo, receberia apresentações da novata Gigi Suleiman e de uma velha conhecida nossa, Winter, que ao vivo parece se tornar uma banda bem diferente do que se vê nos registros de estúdio, mas já chegamos lá.

A noite começou com a breve apresentação de Gigi, acompanhado por ninguém menos que Nevilton, músico paranaense que se tornou figurinha carimbada da noite paulistana. A moça, que tem o respaldo de um dos nomes que mais confiamos aqui na redação, surpreendeu os presentes, não só pela sua voz e jeito de cantar, mas por já ter um repertório próprio que engrandecia seus atributos vocais.

Ainda que meio tímida no palco, Gigi prendeu a atenção dos presentes, com seu som acústico e cheio de boas melodias, ainda mais depois de tocar Crônica, de Nevilton, e Mercedes Benz, de Janis Joplin, a cappella em seu bis improvisado. Um bom show e que nos fará ficar de olho em seus próximos passos.

A curitibana Samira Winter e sua banda (formada também por Francisco Bley, membro da também curitibana Dunas) subiram ao palco pouco tempo depois. Diferente do que se ouve nos EPs e singles lançados pela moça até então, as músicas do grupo ganham mais força ao vivo, parecem mais potentes e, de certa forma, remetem ao encontro da doçura do Twee Pop/Dream Pop com a barulheira tímida do Shoegaze.

Essa mistura se combina perfeitamente com a personalidade da vocalista, que transborda uma fofura inigualável, comprovada por conversas que tivemos antes e depois do show. No palco, Samira mostra muita simpatia, conversando com o público (e o chamando para mais perto do palco), dizendo que era muito bom estar de volta no Brasil e em especial em São Paulo, e mostrando-se bem à vontade em apresentar suas faixas, incluindo uma inédita, tocada pela primeira vez ao vivo.

O repertório se baseou nos últimos lançamentos da moça, seja em seu projeto solo ou com a banda. Algumas músicas de Tudo Azul, EP lançado por ela neste ano, ganharam versões, digamos, mais “extremas”. Se a faixa se mostrava sonhadora no registro (Dona Clarinha), ganhava uma versão ainda mais onírica. O mesmo vale para canções mais agitadas (The View), que ganhavam o acompanhamento mais abrasivo das guitarras nevoentas do Shoegaze.

Até o single Daydreaming foi tocado ao fim do show (e comemorado por alguns fãs que a pediam insistentemente como bis). E a sensação de se estar sonhando acordado parece ter sido sentida pelo público ao fim da apresentação, de se estar acordando depois alguns momentos repletos dos mais belos e puros sonhos. E se você que mora na cidade de São Paulo e arredores quer também experimentar essa sensação, recomendo que vá hoje ao último show da turnê brasileira de Samira, no Puxadinho da Praça.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts