Tortoise – SESC Belenzinho, São Paulo

Apresentação hipnótica do quinteto se mostrou impecável do começo ao fim, embalando seus espectadores em uma viagem sinestésica realmente inesquecível

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Fotos: Monkeybuzz/Nik Silva
Nota: 5.0

Seis álbuns lançados em um período de quase duas décadas foram o suficiente para sacramentar esse grupo de Chicago como um dos mais importantes para a popularização do Post-Rock, Indie Rock e para o Rock Alternativo (mesmo que seu som não siga somente nestas direções), durante os anos 90. Unindo gêneros que vão do Krautrock e Dub à Música minimalista e eletrônica (ainda dá para adicionar Math e Post-Rock nessa mistura), além dos mais variados estilos de Jazz, o Tortoise é capaz de quebrar barreiras estilísticas como se elas nem existissem – o que, nos últimos anos, estamos vendo acontecer com cada vez mais bandas novatas.

A incomum formação no palco, contendo duas baterias, uma série de baixos e guitarras, sintetizador, teclado ligado a pedais de efeitos e dois instrumentos que lembravam xilofones denunciava antes mesmo do show começar, que esta seria uma apresentação também nada comum. É claro que instrumentos não se tocam sozinhos, eles precisam de músicos qualificados para extrair deles o melhor resultado possível e foi exatamente isso que acompanhamos durante a uma hora e meia do primeiro espetáculo da breve passagem do grupo pelo Brasil. Dan Bitney, John Herndon, Douglas McCombs, John McEntire e Jeff Parker se mostraram completos no palco, mudando de posições e de instrumentos a cada faixa e exibindo pleno controle deles e da audiência.

Um show hipnótico, fascinante. Capaz de deixar qualquer espectador preso em seus pensamentos por horas ainda na primeira faixa. Esse era um efeito observado em boa parte do público que se encontrava boquiaberto e contemplativo, saindo de seus devaneios somente para aplaudir e para depois novamente imergir nas viagens propiciadas pela trilha sonora do quinteto. A maior qualidade do grupo talvez seja conseguir extrair reais emoções do público com sua música, ou então causá-las.

Se em cada faixa a formação era diferente (ora abusando dos sintetizadores, ora das guitarras ou da percussão, chegando a ter em faixas, dois percussionistas nas baterias), as emoções geradas por elas também eram. Ora embarcando em um som mais potente e ruidoso, ora em viagens oníricas, o show se mostrou completo e cheio desses pequenos momentos de diversos e divergentes que se complementavam, e que no fim das contas espelha a obra do grupo. Esse efeito sinestésico era complementado pelas luzes e cores do palco, potencializando o efeito lisérgico de algumas das músicas tocadas.

Sem precisar trocar muitas palavras com a plateia (agradecendo, às vezes), o quinteto impressionou o teatro com a tamanha maestria que tocava suas faixas e ainda assim pareciam ser apenas cinco amigos de longa data reunidos em um palco, brincando e experimentando com os mais diversos gêneros. Entre as faixas escolhidas para dar corpo à quase uma hora e meia de show, a banda apostou em músicas de seu mais recente álbum, Beacons Of Ancestorship (2009) e de seu maior clássico, TNT (1998), além de alguns outros sucessos de outros discos.

A escolha do teatro, ao invés da comedoria que geralmente recebe as atrações gringas, foi um dos maiores acertos. Este, um show contemplativo, pedia cadeiras e o maior silêncio possível. O resultado: um dos melhores shows do ano, pouco antes do mesmo terminar.

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ARTISTA: Tortoise
MARCADORES: SESC Belenzinho

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts