A Inesperada (Re)Volta de The Kooks

Afinal, o que levou a banda a mudar tanto sua sonoridade neste último EP?

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Creio que a este ponto são poucas as pessoas que não sabem o que é ou pelo menos que foi The Kooks. A banda estourou junto de outros tantos nomes ingleses do Indie Pop na segunda metade dos anos 2000 e ajudou a fomentar a cena que faria sucesso até quase o fim daquela década. O declínio do “estilo” acabaria por arrastar junto a banda, mas não exatamente pelos motivos mais óbvios. As mudanças de integrantes e de sonoridade, e um fraco terceiro disco (lançado em 2011) resultaram numa queda de popularidade considerável no começo dos anos 2010. Três se passariam até a volta, digamos, bem inusitada com o EP Down.

O Indie Pop continua nesta pequena obra como ingrediente principal, porém a banda se reinventa por uma série de novas influências e novas sonoridades. Creio que quando a faixa-título foi mostrada, muita gente estranhou essa nova maneira do grupo fazer música. Dividindo opinião dos fãs, a música trazia um tempero do Soul e do R&B, um clima de música negra feita por jovens brancos. Com muito suingue e um potencial dançante muito maior do que qualquer outra produção do quarteto, a banda parece ter deixado seu passado para trás para verdadeiramente se reinventar. Se a volta do quarteto não era inesperada, a forma como voltou foi, e muito.

Mas, afinal ao que se deve a tal revolta com esse seu lado Pop e essa nova musicalidade “negra” da banda?

O principal motivo é que Luke Pritchard e companhia já não aguentavam mais se “repetir”. Não é que um disco seja exatamente igual um a outro (e o terceiro e pior deles mostra muito bem isso), mas todos os álbuns lançados até então tinham uma cara bem estabelecida (principalmente os dois primeiros): um Pop feito por jovens e para jovens, e que por mais divertido que fosse, não tinha em si grande profundidade. No fim das contas, The Kooks sempre foi uma banda hedonista e aqui parece tentar mudar um pouco isso, por mais que o quesito “diversão” não tenha se perdido em nada.

Desde que surgiu na Terra da Rainha, por volta de 2004, o grupo tinha em suas mãos uma fórmula sólida e atraente, e que não à toa foi responsável por trazer ao quarteto uma legião de fãs em muito pouco tempo. O grupo (re) criava um Indie Pop que bebia direto na fonte do Rock e Pop britânico de algumas décadas atrás e que surgiu na mesma época em que outras tantas bandas conterrâneas lutavam pela atenção do público – um novo boom de popularidade da música inglesa que não se via desde que o Britpop invadiu o mundo quase uma década antes.

De certa forma, a cena alavancava a música do grupo e vice versa. O sucesso não tardou em chegar e já em 2006 (ano de lançamento de Inside In / Inside Out) muita gente ao redor do globo tinha na ponta da língua faixas como Naïve, She Moves in Her Own Way, Seaside e outras tantas daquele ótimo disco de estreia. O mesmo aconteceu com Konk (2008). Um disco que trazia algumas mudanças e um teor Pop um pouco maior, mais que ainda tinha aquele som característico da banda, em que havia a mistura do Indie Rock e Indie Pop em boas proporções. Um álbum que mudou “pouco”, mas que tinha ali suas diferenças quando comparado com o debut.

Até aí tudo bem, os dois discos emplacaram seus hits e, mesmo com as pequenas mudanças apresentadas neste segundo, o grande público continuo fiel à música do quarteto. A vontade de continuar testando as barreiras Pop do grupo cresceram e, segundo Pritchard, a banda seguia em um rumo cada vez mais “experimental”. O resultado disso foi o seu terceiro disco, Junk Of The Heart. Bem abaixo da média, o disco brinca com ritmos dos anos 80 (e traz uma novidade: os sintetizadores) e até tenta mostrar alguma novidade ao que a banda já fazia. O resultado, porém, é insosso e, mesmo que pareça ter sido projetado para emplacar muitos hits, poucos deles surgiram. No fim das contas, o disco teve um desempenho fraco nas vendagens e mesmo os fãs não pareciam aceitar muito bem a obra.

Depois de um disco fraco e de uma cena que já não estava mais em evidência, uma mudança era mais que necessária pra tirar a banda de um ostracismo. Nesse período o grupo chegou a excursionar pelo mundo, inclusive passando pelo Brasil em 2012, tentando revigorar os laços com os fãs, mas o grupo já não era visto da mesma forma que quase uma década atrás. Por fim, se renovar musicalmente foi o caminho encontrado para surgir de novo e, mais importante que isso, surgir novamente com uma proposta diferente e alinhada ao que de mais interessante está surgindo agora. Uma estratégia arriscada, porém que funcionou em seu pequeno EP. Só nos falta ver como a banda se sairá em seu novo LP, esperado para setembro deste ano.

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ARTISTA: The Kooks
MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts