A Volta do Deep House: Modismo Pós-EDM?

Artistas como Disclosure ajudam a cena Eletrônica a estar sempre em evolução

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A cena musical está em constante mudança e essa é uma das características mais apaixonantes dessa arte. DJ Marky, um dos maiores produtores brasileiros e grande precursor do Drum’n’Bass aqui dentro, gosta de reforçar em todas suas entrevistas a importância do “gueto” para a música. E, de fato, não existe o mainstream sem o underground. Sempre o que estoura nas rádios foi bem estudado e mastigado por produtores e gravadoras até chegar nos rankings mais comerciais do mundo e, enquanto isso, as pistas underground estão sempre dois passos a frente.

Aconteceu com o House, aconteceu com o Techno, agora com o Deep House e vai continuar acontecendo enquanto houver ainda quem se importe com música pela arte, pelo que se ouve e sente, pelo que ela representa. Uma população, mesmo que pouca, que prestigia e consome criatividade, novidade e talento serve como combustível para que a cena continue em hibridização e exponencial progressão.

Nesse meio tempo, já vimos gêneros que não deram tão certo, alguns que estouraram e atrofiaram, outros que estão sobrevivendo, mas vemos agora uma herança de uma cultura que estamos conhecendo e que já anda incomodando bastante gente. O EDM, ou estilo que acompanha quem é fã de músicas sazionais, superficiais, comerciais, da música Eletrônica, anda irritando grupos dos sub-gêneros por demonstrar interesse e empatia por estilos sem, ao menos, estudar sobre seus ícones ou o que o gênero representa.

Depois que o EDM virou febre, a cultura ganhou tantos adeptos que ficou difícil de segurar todo mundo no Electrohouse. Com o tempo e a disseminação da música e do trabalho dos artistas, alguns perdidos foram parando em clubs de Trap e admitindo paixão pelo grupo. Ao que tudo indica, pouquíssimo tempo depois, a onda do momento é Deep House.

O gênero cresceu, óbvio. De acordo com o artigo da III Methodology, o Deep House foi o gênero que mais vendeu nesse ano o que muito se estranha tendo em vista o estouro do EDM. A justificativa plausível em cima disso é que os adoradores do estilo são mais velhos e tem maior poder financeiro que os jovens da cultura PLUR. E faz sentido. Aqueles antigos jovens da década de 80 hoje são mais economicamente estruturados e podem prestigiar e financiar mais hobbies como música e lazer. Porém mesmo diante de tudo isso, não seria possível que somente o Deep House tivesse essa força e outros estilos como Rock Clássico ou até o Techno, mais próximo em questão, não tivesse o mesmo destino. A questão é que aqui houve uma dose bem maior de dedicação dos produtores em transformar aquele som que originalmente era uma edição eletrônica de elementos do Jazz e Soul para um degrau ainda mais elevado. A inovação trouxe para adeptos do R&B, do Techno, do Minimal, e de uma série de sub-gêneros que antes viviam isolados e que agora encontram um lugar ao sol nas estruturas slowtempo do Deep House.

Artistas como Hermitude, Motez, mas principalmente Disclosure, Duke Dumont e Gordon City estão ajudando a expandir e espalhar o gênero de uma forma mais palatável e festiva. Permeando o caminho das colaborações, os artistas do Deep House estão trilhando caminhos menos individualistas e ajudando a promover e financiar o futuro do gênero. Não é à toa que a receita do Deep House, em 2014, foi altíssima. E, proporcionalmente a isso, tivemos faixas com qualidade impecável, ora focado na estrutura, ora focado na melodia, ora no lirismo. E quando há essa conexão entre os três pilares, vemos música de qualidade sem nenhuma categoria saindo e agradando qualquer ouvido.

O EDM, por si só, ajudou a propagar e espalhar os adeptos pelos gêneros. O Deep House enxergou essa oportunidade e conseguiu cativar massivamente usando técnicas menos instrumentais e mais mastigadas que ajudam até no interesse ao estilo. Independentemente de modismos ou não, o ponto aqui vai para o movimento. 2014 foi um ano de sucesso para o Deep House, o qual pudemos ter a chance de vê-lo se esforçar e espremer para agradar e, sim, completar sua missão com maestria. Como foi com o Dubstep em 2010, Deep House agora, qual o próximo gênero a se reacender?

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King