Bidlovski e os raios que caem mais de uma vez no mesmo lugar

BiD relembra sua trajetória como produtor, fala do encontro com Chico Science e da concepção do Funk Como Le Gusta, além de dar detalhes sobre a missão de contar a história do Soul brasileiro

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Fotos: Fernando Laszlo

Entre o clássico Afrociberdelia (1996), de Chico Science & Nação Zumbi, músicas para o Corinthians, bambas, biritas e bandas com codinomes para maconha, Eduardo Bidlovski faz a festa — com uma peculiaridade no jeito de criar: Bid é acertado por ideias que vêm como raios. De súbito, ele sabe o nome do próximo disco, sua sonoridade, enxerga nitidamente seu conceito e se põe a trabalhar. Hoje com 54 anos, o produtor musical paulistano já passou por diversas investidas sonoras, mantendo o traço de combinar gêneros musicais e artistas de diferentes gerações. Para ele, a química entre a velha guarda e nova escola prova uma reação sempre bem-vinda, assim como os raios de criatividade.

O volume 1 de Bambas & Biritas (2004) é um mergulho groovado no Soul brasileiro e suas vertentes. As melodias vieram a partir de inspirações provocadas pelo nascimento de seu primeiro filho, Caio, que hoje tem 20 anos. Para esse disco, Bid reuniu 53 músicos – número impossível de se esquecer devido aos 53 contratos de liberação de direitos autorais que precisou gerenciar. “Não Para” é a primeira faixa do álbum e também uma das duas únicas em que o artista aparece sozinho; a outra é “Estou Bem Longe (Do Que Me Faz Mal)”. “’Não Para’ eu fiz em um dia que o meu filho estava na sala, meio chorando, e eu fiquei sabendo que o Herbert Vianna tinha caído de avião. Foi quando aconteceu o acidente que deixou ele paraplégico”, relembra Bid. “Eu comecei a fazer um mantra no violão e em voz com o que virou o refrão da música, não pára, não pára, não pára, coração não para, que foi mentalizando alguma coisa para que o coração dele não parasse. Crianças crescem, ali na sala, olhando meu filho pequenino, uma criaturinha crescendo, o que é uma responsa que você tem para o resto da vida. Acidentes acontecem. Depois dessa música, vieram todas as outras”.

E vieram de uma vez: em duas semanas, todas as melodias de Bambas & Biritas vol. 1 foram criadas. “Bambas 1 tinha uma brincadeira com a secretária eletrônica do fax. Você se lembra do fax? Era engraçado porque ninguém deixava recado normal: todo mundo fazia uma graça, cantava trecho de música, nunca vinha um recado ‘Oi, me liga, é fulano, tchau’. A secretária eletrônica dava essa asa para quem telefonava. Como não queria esquecer as ideias, eu ligava para o estúdio e deixava um recado com a melodia da música ou pedaço de letra ou ainda uma linha de baixo. Ali estava o disco todo: na secretária eletrônica. No final do disco, escondido, tem um track com os recados. Acho que no streaming não tem, mas no disco mesmo, quando acaba a música ‘Estou Bem Longe’, tem um ou dois minutos de silêncio, um fantasma, e começa a tocar os recados. O primeiro era um choro do nenê do Caio, era muito engraçado, porque as pessoas se assustavam”. Para quem é do streaming, um vestígio da forma inusitada de composição está no início de “Saudades da Blackrio”: esse cantarolar da linha de baixo logo nos primeiros segundos é o Bid deixando um recado para não esquecer.

“Olha, pra mim, a grande influência disso tudo foi o começo dos anos 1990: Chico Science & Nação Zumbi, Raimundos e algumas outras bandas que começam a trazer a cultura brasileira para a música, misturar Rock com Funk Groove, Samba, Maracatu, entende?”, revela o produtor. “Nos anos 1980, as bandas estavam se espelhando muito na Inglaterra e nos Estados Unidos. Em 1994 começa a vir essas bandas novas e um movimento de novos selos, a Sony faz o Caos, a BMG faz o Plug, as gravadoras fazem pequenos selos para começar a lançar essas bandas que chegam: Planet Hemp, Chico Science, Raimundos, entre outros. Eles são os grandes responsáveis por dar essa guinada na música brasileira jovem: de olhar para dentro, para culturas e ritmos nacionais. Eles são quem realmente abre essa porta. O Bambas 1 é fruto dessas bandas que estavam já olhando o brasil — ele é bem Soul, bem Funk, tem alguma coisa de brasilidade, mas não tanto. Ele é um disco black”.

Além da sonoridade, Bambas & Biritas Vol. 1 é preto em seu coro: Black Alien, Rappin Hood, Seu Jorge, Carlos Dafé, Elza Soares, Marku Ribas e Chico Science são alguns dos gigantes que figuram no álbum. Agora, imagine o susto de Bid quando foi às tradicionais lojas de música do centro de São Paulo e se deu conta de que seu CD não estava sendo vendido em nenhuma delas. Conversa vai, conversa vem com os comerciantes e o diagnóstico é certo: pela embalagem, o disco chegava muito caro para os lojistas. Como passar para frente? “Cheguei na gravadora e falei: a gente tem um problema”, relembra a cena. “A gente tá com um disco que é completamente black e ele não chega nas lojas black. É um disco de black music, como é que ele não está lá?”.

(Festival Natura Nós, 2011. Foto: Caroline Bittencourt)

A decisão foi fazer uma nova versão: a mais barata possível. “CD com capinha de plástico, não precisa ser de papelão chique com não sei o que dobrável, a gente só precisa de uma folha que dobra com créditos, não quero nem que grampeia nada. Fizemos uma outra capa mais simples, chamei um brother meu que faz caricaturas e a gente criou uma versão extra, barata e conseguimos entrar no mercado. Só estando no campo para ver, né?”, reflete.

A lição veio para assinar embaixo da experiência trabalhando em gravadoras e estudando a parte mais corporativa da música. “Trabalhei três anos na Capitol Records em Los Angeles. Eu fui para os Estados Unidos em 1987 para estudar marketing, merchandising e moda. Fiquei fazendo uns cursos na paralela de música e business das gravadoras, sobre as diferentes áreas da gravadora. Consegui um estágio em uma das aulas; uma pessoa da Capitol Records foi falar na aula, no fim da palestra perguntei se podia mandar um currículo, ele disse que sim. Por seis meses, eu fui o cara que ficava ouvindo as músicas que as pessoas mandavam. Na época as demos eram fitas cassetes, não era nem CD ainda! Eu levava para casa bacias de fitas demo da galera, selecionava três ou quatro para o meu chefe ouvir. Um papel louco, maior responsa, depois que eu percebi o quanto era foda. Mas me deu uma escola boa do outro lado”.

No entanto, o lado de Eduardo sempre foi o das bandas – desde o início, quando começou a tocar guitarra com seu irmão. “Meu pai tinha uma churrasqueira no fundo da casa, ele teve que fazer uma sala fechada porque a gente já tava com amplificador e bateria na sala de estar”, conta. “Meu pai morreu, de câncer, eu tinha 17 anos. Isso, junto com o timing das coisas, deu que a gente começou uma banda [Tokyo] e no segundo show assinou com a Som Livre. O Supla era meu vizinho de rua, eu conheci ele quando tinha 9 ou 10 anos, a gente jogava bola na praça. A gente era amiguinho de jogar bola, viramos amigos de banda. Acabou dando certo a banda, então foi uma experiência em que eu aprendi muito. A gente emplacou música na rádio, fez Chacrinha. A gente viveu. É, 18 anos, buscando meu caminho”, diverte-se. Uma parte importante da passagem da Tokyo é que foi Tico Terpins, da banda Joelho de Porco, quem gravou a primeira demo deles. E Tico guardou o nome de Bidlovski.

Em 1993, o Bid voltou da gringa afim de trabalhar em gravadoras. Colecionador de vinis, vários cursos de marketing e business em música, experiência na Capitol Records: check, check, check. Mas, na mesma semana em que ele fez uma entrevista na EMI, Tico ligou. “Ele me acha e pergunta se eu quero trabalhar no estúdio, com ele e o Zé Rodrigues. Assim, eu meio que saí da coisa de executivo e gravadora, que eu provavelmente iria virar. Talvez hoje eu fosse um cara foda de alguma gravadora, talvez não, mas eu acho que estaria mais no campo business da música. Tico é o cara que me tira e me chama pra trabalhar nesse estúdio de jingle, que é onde eu começo a ter relação com os músicos de estúdio de novo e a fazer uma nova rede — afinal, eu tinha ficado 5 ou 6 anos fora. É quando eu retomo pra cena”.

Roubando a cena

“Em 1994, entro numa banda chamada Professor Antena, que assina com o selo Plug. A gente abriu pro Yellowman no Rio de Janeiro, mas o disco [homônimo] estava um pouco à frente, o pessoal não entendeu direito. Eu entro como DJ e guitarra, mas também componho músicas. Foi assim que eu conheci o Chico”, relembra. Foi quando o Sesc Bauru promoveu um evento com Professor Antena, Nação Zumbi e Raimundos que Bid e Chico se conheceram. No ônibus, eles sentam juntos e vão conversando, na ida e na volta.

Alguns meses depois, Chico vai para São Paulo e passa na casa de Bid, com a intenção de colocar em prática aquelas ideias compartilhadas na viagem. Do encontro, saem duas músicas: “Macô”, que se tornaria a quinta faixa de Afrociberdelia (1996), e “Roda Rodete Rodeano”, décima faixa de Bambas & Biritas Vol 1 (2004). “Pô, Bid, a gravadora quer uns nomes gringos para fazer o próximo disco, mas eu quero que você faça. Acho que a gente está com as mesmas ideias, você não quer produzir?”, convidou Chico. “’Quero, lógico, vamo’, eu disse. Mas assim, completamente despreparado”, completa Eduardo.

Sony liga: Bid? Chico falou que quer que você faça o próximo disco. Você pode mandar pra gente um material que você já fez, seu repertório? “Olha, eu não tenho nada, eu disse”, conta rindo. “Não tenho nada pra mandar, a gente tá cheio de ideia, vamos somar loop, sample, scratch, não sei o que, tambores, enfim. A Sony: ah, então vai pra Recife e faz uma demo. Assim, a gente vê o que vocês tão querendo.” Eduardo então desmontou seu estúdio e embarcou rumo à capital de Pernambuco.

“Até achei há um tempo atrás o CD com a demo, são 6 músicas do Afrociberdelia, que eu tô a fim de lançar em algum momento. O legal é que o Chico cantou de um jeito meio despretensioso, não era pra valer. Quero fazer tipo um lost tapes”, conta, mostrando o CD marcado com a sua caligrafia. A vontade de soltar essa demo vem com uma ideia antiga de Bid, a de fazer vinis de todos os seus trabalhos — “como uma referência de uma música que vem da minha horta, como se fosse plantado aqui a ideia do disco, nasce aqui no terreno da horta e vira um vinil. Acho que Spotify, essas coisas não eternizam muito os álbuns. Acho que o vinil é como um livro, de algum jeito. Daqui a 30 anos você vai pegar e lembrar, sabe?”.

“Assim começa minha história com produção. Com esse pontapé inicial do Chico Science de me dar essa bênção. Foi uma coisa de sorte com o momento. Na hora certa. E meio a cara de pau de aceitar e ir, que é uma característica minha desde pequeno”

Bid saiu da Professor Antena e montou uma banda chamada Zambasters, a qual trazia uma sonoridade de Jazz com Rap, uma pegada de jam. “Zambasters vem de zambo, que era meio que o apelido que a gente dava pra beck, pra fumar baseado; todas as músicas tinham zambo no nome, era Zamborosa, Zambopapapa-não-sei-o-que. De Zambasters vem o Funk Como Le Gusta — que é quando eu concebo esse processo com o Serginho Bartolo, de fazer uma big band porque a gente sentia falta de jams, encontros musicais no palco. E, de certa forma, das parcerias do Funk Como Le Gusta vem o Bambas & Biritas”, remonta. Hoje, o codinome favorito de Bid para maconha é o mais clássico: beck.

“O meu segundo filho se chama Tom e foi a grande inspiração do Bambas & Biritas 2, é meio que um disco por filho”, brinca, “Se bem que o JAH VAN não precisou.” O álbum de 2018 é uma releitura de grandes clássicos de Djavan com outra proposta sonora, mais puxada para o Reaggae e Ska, como o nome sugere. Já o volume 2 de Bambas surgiu a partir de uma viagem à Jamaica — e na imagem refletida do Brasil que ele viu ao mergulhar em outra cultura.

“No penúltimo dia da minha viagem, eu estava em Negril e a gente saiu para dar uma volta de barco”, rememora. “Tinha um CD player, eu botei esse disco do Chico César que tem essa música que tá bombando no BBB 21, ‘Deus Me Proteja’, com Dominguinhos — é um disco do Chico César que eu produzi que já tinha um pouco da ideia de misturar os estilos musicais. Botei o disco do Chico no barco sei lá porque motivo e o cara que estava dirigindo o barco começou a cantar, improvisar em cima. Até arrepiei só de lembrar. Na hora me deu um estalo: vou fazer um disco assim. Vou misturar ritmos do Nordeste com ritmos jamaicanos. A ideia veio pronta, assim como Bambas 1, essa coisa do conceito. No Bambas 2, era sobre o encontro das culturas do norte e nordeste do Brasil com a Jamaica, filhos da África separados pela água. Como se fossem dois irmãos”.

Essa música foi o primeiro pontapé. Depois disso, Bid passou a encontrar cada vez mais traços familiares nos países, das roupas aos sons. “Amor ao futebol, a polícia é corrupta como no Brasil, os ritmos são muito parecidos, só são trocados os instrumentos”, explica. “Aqui você vai ouvir com sanfona, triângulo e zabumba; lá você vai ouvir com guitarra, baixo e bateria. Mas as divisões musicais são iguais, dá para ver que a essência veio do mesmo lugar e em cada lugar se desenvolveu de um jeito. Essa é a beleza do projeto”.

Em 2012, Bid deu uma entrevista à VEJA, na qual ele dizia que considerava 70% da música brasileira da época lixo. O comentário se tornou título. Quando pergunto se ele ainda se sente dessa forma, o desconforto é nítido. Mas Eduardo tem a rara habilidade de transformar o incômodo em uma oportunidade para a transparência. “Olha, eu cresci ouvindo Caetano, Gil, Milton, Chico Buarque e toda essa galera. Eu acho que a gente não chegou ainda nesse nível. Óbvio que tem Seu Jorge, Liniker, tem quem é foda e merece destaque, mas eu acho que no nível poético, da riqueza musical, a gente não chegou”, diz. “Não falo isso em um ar superior, eu simplesmente analiso a música que ouvia e a que eu ouço hoje. Tem artistas legais, mas não dá para comparar com o que vinha no pacote. Ali os caras estavam vivendo movimentos: Tropicália, ditadura militar, tinha uma coisa da música que agora eu acho que falta um pouco. Ainda tenho um sentimento parecido de quando eu dei essa entrevista”. Em seguida, ele me pergunta o que eu acho sobre o momento atual da música brasileira.

“Isso aconteceu com o Milton também, né?”, provoca, ao lembrar a coluna de 2019 da Folha de S. Paulo. “Depois que saiu a do Milton, eu fiquei mais tranquilo — puts, não sou só eu que acho isso. E é uma experiência própria também, de visões pessoais. Como te falei, não tô falando de um single, tô falando da artisticidade como um todo: o que a pessoa fez, como está fazendo, como é o conceito. Analisar a música, letra, arranjo, produção. Mas é ruim falar isso, soa arrogante”, lamenta. “Quando eu vi essa matéria [VEJA] falei ‘puts, que bosta’. Quem lê deve pensar que eu sou arrogante, que eu me acho, mas foi algo que disse no meio de um pensamento, como a gente está conversando agora. Talvez a gente fique mais velho e fique mais chato ou talvez por ter crescido com esses caras gênios eu pense assim. E eu tô preso ainda nesta música, desses artistas e nessas canções.”

As canções que fisgam Bid vão de Cassiano a Dorival Caymmi, passando por Luiz Henrique, cujo disco Mestiço (1972) o artista — e eu! — recomenda fortemente. Eduardo diz que não gosta de responder perguntas do tipo “3 discos que todo mundo deveria ouvir”, porque, segundo ele, para cada tipo de música tem pelo menos uns 10 discos essenciais. No entanto, dispara em indicações: Os Afro Sambas (1966), de Vinicius de Moraes com Baden Powell, Coisas (1965), de Moacir Santos, Clube da Esquina (1972), de Milton Nascimento, Lô Borges e companhia. “Marcos Valle tem coisas geniais. Do Tim Maia eu adoro o disco Nuvens (1982), talvez o melhor disco dele, o mais groovento. Dorival tem aquele disco do mar, que é só voz e violão, chama Caymmi e Seu Violão (1959) — e a beleza desse disco é que ele te transporta. Tem alguns discos, poucos, que te transportam para alguma coisa, algum lugar. Este disco te põe ali na frente do mar. Se você fechar os olhos e mergulhar profundamente no som, você vai pro lugar que Dorival está cantando, descrevendo, é como um livro. Esse é um dos poucos discos que são terapêuticos”, declara.

Nos últimos sete anos, Bid tem se dedicado a fazer um filme sobre o Soul brasileiro. “Flávio Frederico é um diretor com quem já tinha trabalhado e fiquei amigo, eu fiz a trilha sonora para o longa dele, Boca (2010)”, conta, apaixonado pelo projeto, “Há uns anos ele veio me perguntar se eu tinha alguma ideia de um filme musical porque a produtora e ele queriam fazer. Sim, eu quero contar a história do movimento Soul no Brasil — artistas, bailes, equipes de bailes, DJs, dançarinos, tudo”.

Eduardo está encantado pelos mergulhos profundos proporcionados pelo documentário, ao qual ele se refere como um filme de muito aprendizado. “Porque a gente percebeu que a parte musical desse movimento é muito copiada, não é tão original como Chico Science, Nação Zumbi, como várias bandas que olharam o Brasil e foram atrás dos ritmos brasileiros; o pessoal coloca um tamborim, um negócio e tal para dar uma abrasileirada, mas não engana”, explica. “A maior riqueza do movimento Soul no Brasil é que se trata de um grito da comunidade negra como sociedade. Nos bailes as pessoas negras se sentiam em casa, tinham o estilo de cabelo que queriam, estavam vestidos style. Era uma parada de autoafirmação da cultura, da raça. A gente entrevistou historiadores, sabe? E assim você acaba percebendo que esse é o grande lance. Fico até arrepiado. O movimento Soul acaba sendo muito mais social do que musical, isso foi pegando no filme, no documentário à medida que a gente foi ouvindo as pessoas”.

De certa forma, o filme sobre o Soul é similar ao volume 2 de Bambas: em que a ideia musical desenrola um novelo social, histórico, emocional gigantesco. E Eduardo continua a puxar o fio o quanto puder. Além disso, o produtor não pode deixar de se orgulhar do quanto sua trajetória e o relacionamento com a velha guarda do Soul tem sido valiosa na odisseia documentarista. “Eu tenho a facilidade de ligar pro Wilson, para o Dafé e os caras falam: Quando, Bid? Que hora e que roupa?”, brinca. “Quase como um técnico de futebol que era jogador, sabe?”. As parcerias são resultado dos encontros do estúdio de jingles, do Funk Como Le Gusta, Zambasters, do Bambas 1 e, no limite, da sua vida. São bons amigos, marcados por uma admiração mútua, e quem não gostaria de escrever os nomes de seus amigos na história? Assim, Bidlovski vai desenrolando o novelo da música — com muito cuidado, afinal, nunca se sabe quando se decidem cair os raios.

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