Cadê – “Passos No Escuro”, primeiro disco do Zero (1985)

Primeiro álbum do conjunto é hoje uma raridade, sendo apenas encontrado em sebos e por meio de terceiros

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O New Romantic inglês foi bastante influente para as nascentes bandas brasileiras da década de 1980. O estilo levado mundo afora por gente como Duran Duran, Spandau Ballet, entre outros, atingiu em cheio as formações da “segunda onda” da década, precisamente a partir de 1985, quando Blitz, Paralamas, Barão Vermelho e Kid Abelha já haviam estabelecido seus postos. Zero lançou seu primeiro registro naquele ano, mas já existia nos subterrâneos paulistanos desde 1983.

A banda teve início a partir do encontro de Guilherme Isnard, que havia participado dos Voluntários da Pátria, com Beto Birger, Claudio Souza (bateria), Fabio Golfetti, Nelson Coelho (guitarras) e Gilles Eduar (sax). A ideia dos caras era tangenciar a sonoridade britânica, mas não necessariamente das banda emergentes, mas empreender uma busca cuidadosa pelas origens da coolzice dândi do Roxy Music pós-Brian Eno, mais precisamente, a partir de Stranded, mas buscado os aspectos mais concernentes à figura do vocalista Bryan Ferry, grande inspiração de Isnard, que trabalhara como designer na indústria de moda. Até 1985, esta formação da banda lançou um compacto, “Heróis”, pela CBS, em busca de um espaço na borbulhante cena da época. Dentre os prováveis aspirantes a Duran Duran nacional, o RPM despontou em 1985 como uma barbada. Com Paulo Ricado à frente e uma competente base instrumental, o RPM começou a provar que era possível uma banda fazer sucesso no Brasil com elementos New Romantic.

Zero já se encontrava com uma nova formação, com Eduardo Amarante (ex-Agentss e Azul 29) na guitarra, Ricky Villas-Boas (ex-Joe Euthanázia) no baixo, Freddy Haiat  (ex-Degradée) nos teclados e Athos Costa (ex-Tan-Tan Club) na bateria. Em busca de um novo contrato após o lançamento do compacto, a banda recebeu ofertas da mesma CBS e da EMI-Odeon, que venceu a disputa. O Zero lançaria em 1986, um mini-LP, chamado Passos No Escuro, sendo que havia uma grande sacada em meio às seis músicas do disco: “Agora Eu Sei”, trazia o dueto de Isnard com Paulo Ricardo. A banda, não somente por conta da participação do vocalista do RPM, mas por méritos próprios, chegou ao topo das paradas, atingindo a marca dos 200 mil discos vendidos. Não era raro ver o Zero aparecendo em todos os programas protocolares da época, do Cassino do Chacrinha ao Globo de Ouro. Outra excelente música do disco também fez bonito nas paradas de sucesso: “Formosa”.

O Zero continuaria na ativa e lançaria Carne Humana em 1987, que trouxe outros dois hits para a banda, Quimeras e A Luta e o Prazer, mantendo uma boa exposição na mídia e chegando a mais de 100 mil cópias vendidas do novo trabalho, o que levou a banda a abrir os shows de Tina Turner em Rio e São Paulo, num total de mais de 300 mil pessoas. Mesmo com o sucesso consolidado, o Zero não sobreviveria por muito tempo e encerraria as atividades em 1989. Isnard manteve-se na ativa ao longo da década de 1990 com projetos alternativos de música, sempre mantendo sua admiração por Bryan Ferry intacta.

A banda voltaria à ativa em 1999, por conta das celebrações de 15 anos da fundação. Os poucos shows marcados para Rio de São Paulo mostram que havia potencial para algo maior e Zero grava em 2000 o CD Electro Acústico, com sucessos e quatro inéditas. que revisita os sucessos da banda acrescido de quatro músicas inéditas. Em 2004, Zero lançaria seu último disco, Dias Melhores. Os dois discos do Zero pela EMI só foram lançados em CD em 2003, numa edição simples, chamada Obra Completa, que está fora de catálogo. Em sites da internet, o CD tem preço variando entre R$ 60,00 e 80,00.

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ARTISTA: Zero
MARCADORES: Cadê?

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.